Dona Dalva ficou parada atrás do Prédio 1, segurando o cachorro pela coleira, enquanto seu nariz puxava o ar fundo de forma inconsciente.
Vinha dali mesmo.
Ela olhou para cima, para a janela semicerrada da cozinha, e conseguiu ver vagamente a luz amarela quente lá dentro. O exaustor ainda girava, jogando para fora rajadas do aroma do Guisado de Pernil com Presunto.
Um minuto atrás Dona Dalva estava no grupo falando junto com os outros sobre como a mulher do inquilino do Prédio 1 era preguiçosa e ficava em casa curtindo a vida, e agora descobria que o aroma que fizera o condomínio inteiro engolir em seco de vontade vinha exatamente da casa dela.
Ao descobrirem que o cheiro vinha da casa de Helena, o grupo explodiu de imediato.
— O quê? É aquela mulher que fica em casa todo dia sem trabalhar?
— Vem da casa dela? Eu achava que era algum grande cozinheiro!
Dona Olga estava sentada em casa comendo o jantar naquele momento.
O seu neto, de sete anos, era exigente com comida normalmente; hoje, ele já tinha pegado o arroz e levantado a colher, mas o cheiro intenso da carne continuou entrando na casa pela fresta da janela.
Que criança consegue resistir a esse estímulo? Ele comia, mas de repente soltou a colher, puxou a boca para o lado: — Vó, eu não quero comer isso, eu quero carne!
— Não tem costelinha refogada em casa? — Dona Olga pegou um pedaço e colocou na tigela dele.
O neto cheirou e recusou imediatamente:
— Não é essa carne! Eu quero aquela lá de fora! Aquela carne grande!
— Menino...
Dona Olga ia consolá-lo, mas a criança ficou ainda mais agitada; ele simplesmente escorregou da cadeira, ficou na sala e começou a gritar: — Eu quero aquilo! Eu quero comer aquilo!
Nesse exato momento, a campainha tocou.
Helena parou por um segundo e olhou para o relógio na parede.
Matheus ainda não tinha chegado em casa, quem poderia ser a essa hora?
Desde o incidente com Felipe da última vez, ela mantinha um pouco de cautela instintiva com o toque repentino da campainha. Ela caminhou até o hall de entrada e olhou pelo olho mágico.
Lá fora estavam Dona Olga e Dona Dalva.
Dona Dalva ainda segurava o pequeno poodle pela coleira e, ao lado de Dona Olga, estava o neto dela com os olhos cheios de desejo pela carne cheirosa.
Helena: — ...

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