A garota ficou ainda mais boquiaberta. Quando Matheus desceu do carro, ela quase correu para recebê-lo.
— Incrível! — Os olhos dela brilharam. — Você dirige bem demais! Eu tentei estacionar aí por quase vinte minutos e não consegui!
Matheus devolveu a chave a ela, com um tom neutro: — Da próxima vez que for parar nesse tipo de vaga, puxe o carro um pouco mais para fora e forme um ângulo de quarenta e cinco graus antes de entrar. Não tente forçar de uma vez, quanto mais pressa, pior.
— Ah, sim, entendi! — A garota assentiu repetidamente, como uma aluna atenta.
Ela pegou a chave, finalmente recuperando o fôlego, enxugou o suor da testa novamente e olhou curiosa para Helena e Matheus: — Em qual andar vocês moram? Acho que nunca vi vocês pelo condomínio.
— No térreo.
— Térreo? — Os olhos da garota brilharam de imediato. — Aquele que tem quintal? Eu sei qual é, aquele cheio de flores plantadas?
— Eu moro no terceiro andar, no 304. Meu nome é Lívia!
Enquanto falava, sua expressão ganhou um tom de familiaridade: — Minha mãe era muito amiga da Dona Lúcia, que é a dona do apartamento de vocês. Antigamente a gente sempre se visitava nos feriados, eu até brincava na casa dela quando era criança.
— Ah, é? — Helena sorriu. — A Dona Lúcia é muito gentil.
— É sim, é sim. — Lívia concordou com a cabeça. — Minha mãe disse que, depois que ela alugou o apartamento aqui, se mudou para outra casa e faz muito tempo que não volta. Hoje eu pensei em aproveitar o feriado para trazer o carro e estacionar, e quase fiquei presa na garagem.
Ao dizer isso, não conseguiu evitar uma risada e, um pouco sem graça, olhou para Matheus: — Muito obrigada mesmo.
O olhar dela parou em Matheus por um instante.
Ela ia continuar perguntando, mas a frase seguinte de Matheus foi como um balde de água fria, caindo da cabeça aos pés.
— Nós somos casados.
— Ca... casados? — Ela olhou incrédula para Helena, e depois para Matheus. — Mas... vocês parecem tão jovens.
Especialmente a garota: de pele clara e macia, parecia uma universitária. Como já podia estar casada?
Seu olhar vacilou por um momento, mas logo voltou ao normal, com um sorriso até um pouco mais caloroso do que antes: — Uau, casados! Vocês parecem tão jovens, achei que também tivessem acabado de se formar.
Ela olhou para Helena e para Matheus, sem o menor sinal de desconforto no sorriso: — Bem, a partir de agora somos vizinhos, podemos nos ajudar. Meus pais e eu não somos muito bons com trabalhos manuais; às vezes não sabemos nem trocar uma lâmpada em casa. Talvez precisemos incomodar vocês no futuro.

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