Quando voltaram para casa, abriram o portão de ferro do jardim e o perfume familiar de flores misturado com a terra os envolveu.
As hortênsias no jardim haviam crescido mais nestes últimos dois dias. As folhas estavam brilhantes, e as rosas tinham dado mais duas flores.
Helena soltou o fôlego profundamente e de repente o corpo todo relaxou.
Ainda havia muito conforto em casa.
Não importava o quanto o resort fosse maravilhoso, ainda seria um lugar desconhecido, e ela sempre achou que faltava algo na hora de dormir.
Abriu a porta de vidro, tirou os sapatos, e foi abrir a janela na sala de estar. Foram dois dias sem ninguém e estava um tanto sufocante na casa, mas o ar limpo e gelado se dispersou instantaneamente quando ela abriu as janelas e ligou o ar-condicionado.
Matheus trouxe a bagagem, colocando-a no chão do segundo quarto.
Ele abriu a mala e tirou habilidosamente uma peça após a outra: o vestido dela, as camisas dele, maiôs, roupas de baixo, os curtos. Separou entre cores claras e escuras, então caminhou pelo corredor em direção ao banheiro com as roupas, e colocou-as na máquina de lavar.
Pegou o sabão, escolheu as opções, e deu a partida.
A máquina de lavar começou a zumbir e rodar.
Helena passou pela sala de estar, viu as costas dele debruçado mexendo na máquina, e os cantos da sua boca não puderam evitar uma curva.
Ela entrou na cozinha, abriu a geladeira e olhou o que tinha dentro.
Dentro, haviam coisas que comprou antes da viagem: uns ovos, umas cebolinhas verdes, duas cenouras e bolinhos congelados.
As duas refeições no hotel eram de fato deliciosas, o prato estava bom e o sabor também. Mas notou que Matheus não estava com tanto apetite quando comeu.
Ele não era do tipo que reclamava; poderia comer o que estivesse em sua frente. Mas dava para ver que ele não se acostumava com aquele tempero fraco. O camarão escaldado e a salada de vegetais foram quase deixados para trás.
Gostava de comer as coisas apetitosas da casa deles.
Ela pensou um pouco, pegou o saco de bolinhos do freezer e uns ovos e cebolinhas da geladeira.
Tinha enrolado os bolinhos com porco e alho-poró, uns gorduchinhos congelados dentro de caixa. Depois que congelavam, ganhavam uma fina camada de gelo por cima.
Ia cozinhar bolinhos, fritar uns ovos, e misturar num prato de molho de soja e alho.
Simples, mas Matheus com certeza adoraria comer.
Iria pegar dez mil para os custos em casa ou na empresa em caso de emergência, e o resto todo para a conta da casa.
Ele abriu a janela de transferência e digitou oitenta e dois mil.
Fizeram a conta de família juntos depois que se mudaram, que era usada principalmente por Helena para os custos diários: coisas de supermercado, luz, água e gasolina, manutenção, e roupas. Tudo daquele cartão.
Ia transferir para lá todos os meses e ela geriria o dinheiro.
As coisas estavam acertadas daquele jeito desde o começo, nunca os mudou, e nunca se sentiu incomodado.
Por volta de seis da noite.
Terminaram de comer, e Helena juntava os pratos e os hashi quando uns barulhos soaram da porta repentinamente.
— Quem é? — Helena baixou o prato caminhando até o corredor de fora.
Pelo olho mágico, duas pessoas aguardavam lá fora.
Uma delas era Lívia, que encontraram à tarde no estacionamento, e a outra mulher passava dos seus quarenta.

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