Helena abriu a porta.
— Oi! — Lívia sorriu no instante que viu Helena. — Sou eu, nos vimos à tarde. Essa aqui é a minha mãe.
A senhora formou logo um sorriso pelo rosto todo, muito acolhedor. — Olá, sou a mãe da Lívia. Meu sobrenome é Souza, pode me chamar de Dona Célia. Graças ao seu marido que ajudou a Lívia a estacionar. Ela pegou a habilitação agorinha e não dirige muito bem, já estava na garagem quase querendo chorar.
Helena observou na porta que as mãos de Dona Célia carregavam uvas, e observou do lado a garota cujo sorriso era cálido. Helena ficou estática por um segundo.
Não estava acostumada a lidar com a sociabilidade vinda da vizinhança tão bruscamente, mas como elas estavam ali para agradecer, não podia simplesmente mandá-las virem um outro dia.
— A senhora está sendo tão amável. Não foi nada, só ajudamos no que devia. — Helena sorriu e abriu a porta. — Entrem e fiquem à vontade.
— Ah, imagina, não quero incomodar. — O discurso de Dona Célia era de não incomodar, contudo, os passos seguiam com muita naturalidade e Lívia também adentrou no local.
As duas trocaram para os calçados que Helena oferecera para os hóspedes, e a cabeça virada em direção à sala se mexeu no instante em que seus passos pausaram.
Como a casa estava tão bonita?
Dona Célia sabia muito sobre o apartamento. Antes de trabalhar em projetos de obras e reparos, Dona Lúcia gastara bastante tempo pensando antes de redecorar aquele andar e colocar nele um quintal com plantas. Usara seu tempo e sua inteligência lá para colocar aquelas grandes portas de vidro no chão que permitiam os reflexos do sol, clareando o interior.
Contudo, quando Dona Lúcia partiu e mudou para um outro lugar, as mobílias pesadas e caras vieram junto com ela, e as demais permaneceram ali, quase sem nenhum objeto, apenas o osso.
Dona Célia ponderara que se aquela casa estivesse morando em meio ao aluguel de pessoas que recém chegam à maturidade, aquilo estaria numa sujeira insuportável.
Mas quando percebeu, havia ali na sala coberto um carpete bege com pequenas cerdas de feltro em cima. Ao lado dele os móveis repousavam sobre uma cor leve no seu pano trançado, com almofadas distribuídas aqui e ali mas bem ordenadas, quebrando de fato a frieza dos itens amadeirados.

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