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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 112

Quando Valentina chegou à sala, o almoço estava sendo servido, o ambiente já estava preparado: mesa ampla, madeira clara, louças discretas, pratos dispostos com precisão. O sol atravessava os painéis deslizantes e iluminava o espaço de maneira suave, sem invadir — como se até a luz soubesse respeitar limites.

Yamamoto já estava sentado à cabeceira.

Postura reta, expressão serena, olhar atento demais para ser casual.

À direita, Akemi.

À esquerda, Hana.

A ordem nunca mudava.

Rafael entrou logo atrás de Valentina. Moreira vinha alguns passos depois, carregando consigo aquela presença que não ocupa espaço, invisível como um bom funcionário.

— Bom apetite. — Yamamoto disse, simples.

Valentina sentou-se com cuidado, sentindo o leve cansaço do campo ainda nos músculos. O cheiro da comida era delicado, respeitoso. Nada disputava atenção.

O almoço japonês seguia o mesmo princípio do restante da casa: equilíbrio.

Arroz branco, peixe grelhado, legumes preparados com exatidão, sopa leve. Tudo servido em tempos corretos, sem excesso, sem desperdício.

Por alguns minutos, ninguém falou.

E, mais uma vez, não havia constrangimento ali.

Valentina percebeu que Yamamoto quase não tocava na comida enquanto avaliava a mesa. O modo como Rafael segurava os hashis, a forma como esperava todos serem servidos antes de comer, o cuidado silencioso ao passar um prato adiante sem chamar atenção.

Rafael não falava muito.

Não precisava.

Akemi comentou algo breve sobre o clima. Hana respondeu com leveza, fazendo uma observação sobre como o campo estava especialmente bonito naquela época do ano. Pequenas falas. Nenhuma ocupava mais espaço do que devia.

Valentina escutava mais do que falava.

Em determinado momento, Yamamoto pousou os hashis com calma.

— Vocês sabiam… — Yamamoto comentou, com calma. — No campo, as pessoas acabam revelando mais de si do que imaginam. Ou sabem jogar do jeito certo… ou tentam impressionar. E quase sempre dá errado.

Rafael assentiu de leve antes de responder.

— É como nos investimentos. — disse. — Quem finge que sabe, quebra a própria empresa antes de perceber.

Hana sorriu de canto.

Akemi manteve a expressão neutra.

O almoço seguiu com comentários simples. Yamamoto falou brevemente sobre o ritmo do dia, sobre como preferia dividir compromissos longos com pausas reais. Falou do campo, da casa, da importância de observar antes de agir.

Nada sobre contratos.

Nada sobre valores.

Ainda assim, tudo falava sobre isso.

Em certo momento, Rafael estendeu discretamente o copo de Valentina quando percebeu que ela havia terminado o chá. Não perguntou. Apenas serviu mais um pouco, com naturalidade.

Yamamoto viu.

Não comentou.

Mas viu.

Quando o último prato foi retirado, Yamamoto recostou-se na cadeira, cruzando as mãos com calma.

— O dia ainda não terminou. — disse. — Mas é um bom momento para separar funções.

Akemi assentiu de imediato.

— As senhoras podem aproveitar a tarde. — completou, levantando-se com elegância. — Há lugares próximos que merecem ser vistos sem pressa.

Hana sorriu, animada.

— Concordo. — disse, olhando para Valentina. — Depois do campo, algo mais leve será bem-vindo.

Valentina levantou-se junto com elas, acompanhando o ritmo natural do gesto.

— Será um prazer. — respondeu.

Rafael permaneceu sentado.

Yamamoto também.

A separação foi simples.

Sem anúncio.

Sem necessidade de explicar o óbvio.

Akemi e Hana caminharam em direção à saída lateral. Valentina as acompanhou por alguns passos, mas antes de sair, sentiu o impulso — não ensaiado — de olhar para trás.

Rafael ainda estava à mesa, conversando em voz baixa com Yamamoto. A postura firme, o olhar atento, completamente presente. Um homem em seu território.

Ele levantou o rosto no mesmo instante em que ela olhou.

Por um segundo, apenas um.

O suficiente.

Valentina sustentou o olhar e então virou-se, seguindo as outras duas.

Quando a porta se fechou, o ambiente mudou.

O silêncio ficou mais denso.

Yamamoto foi o primeiro a se mover.

Levantou-se, caminhou até um aparador lateral e serviu duas doses de uísque com gestos precisos. Entregou uma a Rafael.

— Ainda é cedo. — comentou. — Mas não para conversar.

Rafael aceitou o copo.

— Concordo.

Moreira se sentou discretamente a uma distância respeitosa, já organizando alguns documentos, mas sem interferir.

Yamamoto girou o copo lentamente, observando o líquido âmbar refletir a luz do ambiente.

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