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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 115

Valentina acordou antes do horário habitual. Ela se levantou com cuidado para não acordar Rafael. Vestiu um casaco leve e saiu do quarto sem fazer ruído. Caminhou pelos corredores largos da ala reservada até uma porta lateral que ainda não tinha explorado.

Ao deslizar o painel, o jardim se revelou.

Era… lindo.

Um jardim oriental perfeitamente equilibrado: pedras claras formando caminhos irregulares, lanternas baixas ainda acesas, um pequeno lago central onde carpas coloridas se moviam com uma lentidão quase hipnótica. O reflexo da água captava o céu da manhã, ainda pálido, como se o dia estivesse sendo desenhado aos poucos.

Valentina se aproximou do lago e sentou-se em um banco de madeira escura.

Ficou ali, observando.

O movimento constante das carpas, sempre em fluxo, nunca colidindo, nunca apressadas. Aquilo a acalmou de um jeito estranho. Como se o mundo pudesse existir sem urgência — e ela tivesse esquecido disso.

Foi então que ouviu a voz.

— Não, Kenji.

Valentina congelou por um segundo.

A voz vinha do outro lado do jardim, parcialmente encoberta por um bambuzal. Não era alta. Não era ríspida. Mas carregava autoridade suficiente para não admitir distrações.

— Eu entendo o que você quer — continuou a voz feminina, firme —, mas isso não muda o que você é.

Valentina reconheceu imediatamente.

Akemi Yamamoto.

Ela não se virou. Não por curiosidade, mas porque já estava ali sentada, exposta demais para desaparecer sem chamar atenção.

A conversa continuou.

— Mãe… — a voz masculina soou cansada, jovem, tensa — eu não quero voltar para o Japão e ficar trancado em um escritório pelo resto da vida.

Houve uma pausa curta.

— Você e seu irmão nasceram para isso. — Akemi respondeu, sem dureza, mas sem concessão. — E você sempre soube.

— Isso não é viver. — o filho retrucou. — É obedecer.

Akemi respirou fundo. Valentina percebeu pelo tom — não pelo som — que aquela não era a primeira vez que tinham essa conversa.

— Kenji, ir contra as decisões do seu pai não é apenas desobedecer. — disse ela. — É desafiar uma estrutura inteira. E você sabe o preço disso.

— Eu servi o país. — a voz dele subiu um pouco. — Passei anos no exército. Eu pensei que isso me daria o direito de escolher.

— Dever cumprido não apaga destino. — Akemi respondeu, com uma calma que doía. — Seu pai não vê isso como punição. Vê como responsabilidade.

— E você? — ele perguntou. — Você nunca quis outra coisa?

O silêncio caiu pesado.

Valentina sentiu o impacto antes mesmo da resposta.

— Eu aprendi cedo — Akemi disse, por fim — que querer não muda o que precisa ser feito.

A frase não foi dita com amargura.

Foi dita com aceitação.

— Vou pensar. — Kenji respondeu, mais baixo. — Mas não prometo nada.

— Eu não espero promessas. — Akemi disse. — Espero maturidade.

A ligação terminou.

O jardim voltou ao silêncio.

Valentina permaneceu imóvel, o olhar fixo na água, o coração apertado por ter ouvido mais do que deveria. Ela não queria estar ali naquele momento — mas também não havia como desaparecer.

Akemi surgiu entre as árvores poucos segundos depois.

O celular ainda na mão.

O olhar atento.

Ela viu Valentina imediatamente.

Parou.

Por um instante, nenhuma das duas falou.

— A senhora… ouviu. — Akemi disse, não como pergunta, mas como constatação.

Valentina se levantou rápido, visivelmente constrangida.

— Senhora Yamamoto, me desculpe. — disse, sincera. — Eu não queria ouvir. Eu juro. Só… não tinha como sair sem interromper.

Akemi a observou por alguns segundos longos.

Depois, com um gesto discreto, indicou o banco ao lado.

— Sente-se. — disse.

CAPÍTULO 115 — HERDEIROS DO SILÊNCIO 1

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