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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 116

Valentina retornou do jardim com os sentidos ainda desacelerados. O silêncio daquele espaço tinha ficado na pele — não como ausência de som, mas como presença de ordem. Ao atravessar os corredores da ala principal, percebeu que o café da manhã já estava sendo servido.

A sala de refeições estava pronta.

A mesa baixa, ampla, de madeira clara, exibia a organização meticulosa que já se tornara familiar: louças discretas, disposição simétrica, tudo calculado para não chamar atenção. Arroz branco, peixe grelhado, frutas cortadas com precisão, chá servido no ponto exato. Nada sobrava. Nada faltava.

Hana já estava sentada.

Ao ver Akemi e Valentina entrarem juntas, levantou-se de imediato, surpresa clara no rosto — não desconforto, apenas curiosidade legítima.

— Akemi… Valentina. Bom dia. — disse, sorrindo.

— Bom dia. — Valentina respondeu, educada, sentando-se no lugar indicado.

— Bom dia. — Akemi acompanhou, com um leve inclinar de cabeça.

Hana observou as duas por um segundo a mais do que o habitual. Não havia tensão. Nunca houve. Mas havia percepção — e Hana tinha faro para essas coisas.

— Não esperava ver vocês juntas tão cedo. — comentou, em tom leve.

Akemi respondeu com absoluta naturalidade, já acomodando-se à direita da mesa.

— Encontrei a senhora Montenegro no jardim. — disse. — Por acaso.

Nada mais.

Nenhuma explicação adicional. Nenhuma necessidade de justificar.

Hana entendeu. Sempre entendia.

Valentina, agora carregando o peso silencioso da conversa que tivera minutos antes, observou Akemi com outro olhar. Não havia rigidez vazia ali. Havia escolha sustentada por décadas. Disciplina que não pedia aplauso.

— Vamos sentar. — Hana disse, quebrando o momento. — O chá esfria rápido.

Elas se acomodaram.

O ambiente retomou o ritmo conhecido da casa: o toque suave da louça, o vapor do chá, passos contidos ao fundo. Tudo existia sem se impor.

— Hoje vai ser um dia longo para os homens. — Hana comentou, servindo-se. — Reuniões atrás de reuniões.

Valentina sorriu.

— Imagino.

Hana inclinou-se levemente na direção dela, com aquele ar espontâneo que contrastava com a rigidez do ambiente.

— Justamente por isso pensei em sairmos. — disse. — Um pouco de cidade, um pouco de normalidade. Shopping, talvez. O que acha?

Valentina não hesitou.

— Acho ótimo. — respondeu, sincera. — Vai ser bom sair um pouco.

Hana abriu um sorriso satisfeito.

— Sabia que diria isso.

Akemi ouviu a troca sem interferir. Apenas comentou, com a tranquilidade de quem já tinha a agenda definida:

— Eu ficarei. — disse. — Tenho assuntos da casa para resolver.

Hana assentiu, sem surpresa.

— Claro. — respondeu.

Foi nesse momento que Rafael entrou.

Parou à porta por um breve instante — o suficiente para registrar tudo. Valentina já sentada à mesa. Hana animada. Akemi serena, no lugar de sempre.

Franziu levemente a testa.

— Bom dia. — disse, aproximando-se.

— Bom dia. — responderam Hana e Akemi.

Valentina levantou o olhar e sorriu para ele antes que ele dissesse qualquer coisa.

— Acho que o jet lag bagunçou meu relógio interno, querido. — disse, com naturalidade. — Acordei cedo e não quis te acordar. Fui até o jardim que vimos outro dia… queria vê-lo com calma.

Rafael a observou por um instante.

Depois assentiu.

— Tudo bem. — respondeu.

Aproximou-se e beijou a bochecha dela — um gesto simples, público, natural demais para parecer ensaiado.

Valentina sorriu.

Pouco depois, o senhor Yamamoto entrou. Sentou-se à cabeceira com a postura impecável de sempre, cumprimentando a todos com um aceno breve.

— Bom dia.

O café seguiu com comentários neutros. Nada profundo. Nada pessoal. Apenas o suficiente para manter o ritmo da casa antes da separação natural do dia.

Antes de se levantar, Valentina inclinou-se discretamente em direção a Rafael.

— Hana comentou sobre irmos ao shopping hoje. — disse, baixo.

Rafael entendeu no mesmo instante.

Olhou para Moreira.

Um gesto mínimo. Preciso.

Quando a atenção das mulheres se dispersou por um segundo, Moreira se aproximou e estendeu discretamente um cartão a Valentina.

— Senhora Montenegro. — disse, em tom contido. — O senhor pediu para avisar que a senha é a data do seu aniversário. Está configurado com a moeda local. Pode usar sem receio.

Valentina olhou o cartão por um instante.

Aceitou.

— Obrigada. — disse.

Moreira assentiu.

Pouco depois, o grupo começou a se dispersar. Os homens seguiram para suas reuniões. Hana e Valentina se prepararam para sair.

O shopping em Tóquio era elegante, as vitrines não gritavam promoções, não imploravam atenção. As marcas estavam ali como quem sabe exatamente o próprio valor — não precisavam provar nada.

Hana caminhava ao lado de Valentina com passos leves, observando vitrines como quem passeia por uma galeria de arte. Não havia pressa. Não havia excesso.

Valentina reparou nisso primeiro.

Hana não parecia velha.

Também não parecia jovem.

A pele japonesa enganava o tempo com uma dignidade quase injusta. Os traços delicados, a postura impecável, o olhar atento. Era uma mulher que não precisava competir com o espelho.

CAPÍTULO 116 — RITMO DA CASA 1

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