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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 145

Entrou no banheiro e fechou a porta.

Só então deixou o corpo ceder.

As mãos tremiam enquanto abria a sacola. O vestido novo ainda dobrado, impecável, como se nada tivesse acontecido. Como se a noite não tivesse mudado nada.

As lágrimas vieram sem aviso.

Silenciosas. Rápidas. Confusas.

Valentina encostou as mãos na pia, o espelho devolvendo um rosto que ela mal reconhecia. Não era só tristeza. Nem só medo. Era tudo misturado: raiva, alívio, desejo, uma felicidade que doía porque parecia temporária demais.

— Para. — murmurou para si mesma. — Se controla.

Respirou fundo. Uma vez. Duas.

— O contrato está prestes a terminar. — disse, encarando o próprio reflexo. — E isso é tudo o que você quer.

A frase soou ensaiada. Não verdadeira.

Ela fechou os olhos por um segundo longo demais.

Quando voltou a abri-los, enxugou o rosto com firmeza, vestiu-se com movimentos precisos e recompôs a postura como sempre fazia quando o mundo exigia que fosse forte.

Valentina saiu do banheiro já vestida.

O vapor ainda escapava pela fresta da porta quando ela deu dois passos para dentro do quarto — e o contraste foi imediato.

Rafael estava em pé perto da janela, o celular colado ao ouvido, postura reta, expressão fechada. O homem da noite anterior tinha sido cuidadosamente guardado em algum lugar profundo. Agora, ali estava o Rafael Montenegro que o mundo conhecia.

encerrando a chamada.

— No. I want it aligned before the Asian market opens. — disse em inglês, a voz firme, sem margem para réplica. (Não. Quero isso alinhado antes da abertura do mercado asiático.) — Send me the revised numbers in twenty minutes. (Envie os números revisados em vinte minutos.)

Ele virou levemente o rosto e a viu.

Por um segundo, a frase seguinte morreu antes de sair.

— We’ll talk later. (Falamos depois.)— concluiu apenas.

O silêncio voltou ao quarto, mas já não era o mesmo.

Valentina desviou o olhar de imediato.

Caminhou até a mesa e começou a recolher suas coisas com um cuidado quase mecânico: joias colocadas nos estojos, sapatos alinhados, o vestido dobrado com precisão excessiva. Em seguida, sem pensar muito, pegou também as roupas de Rafael que ainda estavam espalhadas e as colocou na sacola.

Como se quisesse apagar os vestígios. Como se aquilo ajudasse.

Rafael observava tudo.

Cada movimento. Cada pausa. Cada gesto pequeno demais para ser coincidência.

Ela não chorava mais. Mas havia algo no olhar baixo, na rigidez dos ombros, que gritava mais alto do que lágrimas.

Ele foi até ela.

Parou à frente, impedindo que continuasse.

Valentina não levantou o rosto.

Rafael tocou o queixo dela com dois dedos e ergueu-lhe o olhar com cuidado, como se qualquer brusquidão pudesse quebrar algo que já estava frágil.

— Olha pra mim. — pediu, baixo.

Ela obedeceu.

Os olhos castanhos estavam calmos demais para quem estava bem.

Rafael inclinou-se e beijou-lhe a boca com suavidade — nada urgente, nada possessivo. Um beijo breve, firme, quase um acordo silencioso.

— Vamos organizar o contrato primeiro. — disse, ainda perto demais. — Depois… falamos sobre tudo o que aconteceu nesse quarto.

Valentina assentiu.

Um sorriso surgiu em seus lábios, mas não alcançou os olhos. Era aquele tipo de sorriso educado, treinado para encerrar assuntos incômodos.

— Tudo bem. — respondeu. — Vamos.

Ela se esquivou com delicadeza, pegou as sacolas e a bolsa e caminhou em direção à porta.

Rafael a alcançou em dois passos.

— Me dê as sacolas.

Ela entregou sem discutir.

Abriu a bolsa e colocou os óculos escuros no rosto antes mesmo de sair do quarto — uma barreira simples, eficaz, para não precisar sustentar olhares.

Rafael percebeu.

Percebeu tudo.

O gesto. A proteção. A distância recém-instalada.

Ele não sabia lidar com aquilo. Mas sabia controlar.

Abriu a porta e deu espaço para que ela passasse primeiro.

Valentina cruzou por ele sem dizer nada.

O corredor do hotel parecia igual a antes. Mas nada estava.

E, enquanto caminhavam lado a lado em direção ao elevador — agora funcionando perfeitamente —, ambos sabiam:

O mundo tinha voltado a chamar.

O elevador desceu em silêncio.

Não aquele silêncio confortável do quarto.

CAPÍTULO 145 — QUANDO O MUNDO B**E À PORTA 1

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CAPÍTULO 145 — QUANDO O MUNDO B**E À PORTA 3

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