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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 160

Valentina acordou com a sensação errada.

Primeiro, o calor.

Depois, o peso firme ao redor da cintura.

E, por fim, o cheiro.

Ela abriu os olhos devagar.

Não estava na poltrona.

Não estava ao lado de Bianca.

Estava nos braços de Rafael.

Piscou uma vez.

Duas.

Tentou se afastar no mesmo instante.

— Me solta. — murmurou, ainda rouca de sono.

O braço dele se apertou levemente, firme o bastante para impedir, cuidadoso o suficiente para não parecer força.

— Não. — ele respondeu, a voz baixa, preguiçosa. — Ainda temos mais uma hora de voo.

Ela bufou, irritada.

— Eu não quero mais dormir.

Rafael sorriu sem abrir os olhos.

— Quer.

Valentina tentou se levantar de novo. Inútil. Ele a puxou mais para perto, prendendo-a contra o peito.

— Rafael…

— Shh.

Ela ficou tensa. Irritada. O coração acelerado demais para alguém que só tinha acabado de acordar.

— Você é insuportável. — sussurrou.

— Eu sei. — ele respondeu. — Mas funciona.

Ela ia retrucar.

Não teve tempo.

Rafael inclinou o rosto e a beijou.

Não foi um beijo rápido.

Nem gentil demais.

Foi longo. Profundo. Carregado de tudo o que eles vinham segurando desde o Japão.

Valentina levou um segundo para resistir.

Depois… não resistiu mais.

A mão dela subiu para o rosto dele. O corpo respondeu antes da razão. O beijo ficou mais intenso, mais quente, mais perigoso. O mundo reduziu ao espaço entre os dois, ao toque, à respiração descompassada.

Ela esqueceu onde estava.

Esqueceu o avião.

Esqueceu o Brasil.

Até a voz metálica do piloto cortar o ar:

— Senhores passageiros, dentro de alguns minutos iniciaremos o procedimento de pouso em São Paulo…

Valentina congelou.

Piscou.

Afastou-se bruscamente, o coração disparado, o corpo ainda tremendo.

— Meu Deus… — murmurou, passando a mão pelo cabelo. — O que foi isso?

Rafael sorriu, encostando a cabeça no encosto, absolutamente calmo por fora… e nada calmo por dentro.

— Bom dia. — disse.

Ela lançou um olhar mortal.

— Eu vou ao banheiro.

Levantou rápido demais, quase tropeçando, e desapareceu pelo corredor.

Rafael ficou ali, respirando fundo, passando a mão pelo rosto uma única vez.

Quando Valentina voltou, já recomposta, postura impecável, expressão neutra, foi direto para onde Bianca estava.

E congelou.

Bianca estava sentada no colo de Lucas.

Muito confortável.

Muito encaixada.

Valentina arqueou a sobrancelha.

— Bom dia… — Bianca disse rápido demais, levantando num pulo e ficando vermelha até a raiz do cabelo.

Lucas fechou os olhos por um segundo.

— Bom dia. — disse, contido.

Valentina sorriu. Um sorriso lento. Perigoso.

— Que… bonito. — comentou.

Bianca pigarreou, sentando-se corretamente.

— Turbulência emocional. — justificou. — Normal em voos longos.

Rafael se aproximou, sentando ao lado de Lucas.

Lucas virou o rosto para ele, sério.

— Poderíamos ter dormido mais alguns minutos. — murmurou.

Bianca suspirou fundo, teatral.

— Alguns minutos que mudam vidas…

Valentina riu baixo, finalmente mais leve.

— Bom dia pra você também, Lucas.

Ele revirou os olhos.

— Bom dia. — respondeu. — E não, Rafael não é um bom amigo.

Rafael apenas sorriu.

— Já?

— Já. — Bianca confirmou. — Antes que eu cause um incidente diplomático ou dê entrevista falando de vampiros e sogros tóxicos.

Valentina riu, mas os olhos estavam úmidos.

As duas se abraçaram forte. Sem cerimônia. Sem plateia.

— Me avisa quando chegar em casa. — Bianca disse, séria agora. — Mesmo que seja tarde. Mesmo que seja só um “cheguei”.

— Aviso. — Valentina respondeu. — E você… se cuida.

Bianca se afastou um pouco, ainda segurando os braços dela.

— E, Val… — baixou a voz. — Não engole tudo sozinha, tá?

Valentina assentiu.

— Depois te ligo. — Bianca completou, tentando sorrir. — A gente fofoca, xinga meio mundo.

— Combinado. — Valentina disse, sincera.

Lucas observava a cena a poucos passos. Aproximou-se quando percebeu que era o momento.

— A gente se fala. — disse a Rafael.

— Ok. — Rafael respondeu.

Nada de abraços. Nada de discursos. Só aquele entendimento seco de quem confia.

Lucas virou-se para Bianca.

— Vamos dona encrenca. — disse, automático.

Bianca arqueou a sobrancelha.

— Olha só… Eu... Eu... Se eu te matar não é assassinato é ... Dever com o meio ambiente. — provocou.

Ela entrou no carro com Lucas, ainda olhando para trás por um segundo antes da porta fechar.

Valentina ficou parada, sentindo aquele vazio estranho que só aparece depois de momentos intensos demais.

Rafael se aproximou.

— Vamos. — disse.

O carro partiu.

Pela janela, São Paulo passava rápida, barulhenta, indiferente. Prédios. Luzes. Trânsito. Realidade.

Valentina encostou a cabeça no banco, exausta de um jeito que não era físico.

Do banco da frente, a voz de Moreira começou a preencher o carro, falando sobre projeções, ajustes internos, movimentos da Montenegro Corp para as próximas semanas. Rafael ouvia em silêncio, atento, como se aquele fosse o único assunto possível naquele momento.

Valentina demorou alguns segundos para perceber.

A mão dele estava sobre a dela.

Não foi um gesto calculado. Nem anunciado. Apenas ali. Quente. Firme. Envolvendo os dedos frios dela com um cuidado quase inconsciente.

Ela virou o rosto para olhá-lo.

Rafael não retribuiu o olhar. Continuava atento à explicação de Moreira, o rosto sério, o corpo inteiro voltado para o trabalho — mas a mão permaneceu. Não apertou. Não soltou. Apenas ficou.

O calor daquele toque trouxe um conforto imediato. Indevido. Perigoso.

Valentina fechou os olhos por um instante, odiando-se um pouco por sentir aquilo…

e odiando-se mais ainda por querer, a qualquer custo, continuar sentindo.

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