Entrar Via

Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 161

O portão da mansão Montenegro se abriu com a mesma solenidade fria de sempre.

Nada ali parecia feito para receber. Tudo parecia feito para lembrar quem mandava.

Valentina observou pela janela enquanto o carro avançava pelo caminho de pedra. As luzes externas acenderam uma a uma, automáticas, impessoais. A fachada surgiu imponente, silenciosa demais para um lugar que já tinha sido palco de tantas ausências.

Ela sentiu o aperto no peito antes mesmo de descer. Não era medo. Era memória.

O carro parou. Moreira desceu primeiro. Abriu a porta. Rafael saiu em seguida, já recomposto, inteiro no papel que aquela casa exigia.

Valentina desceu logo depois.

O hall estava diferente. Sutilmente.

Uma funcionária que ela não conhecia se aproximou com postura impecável.

— Boa noite, senhor Montenegro. — disse, respeitosa. — As bagagens já serão levadas aos quartos.

Valentina franziu levemente a testa. Observou o entorno rápido demais para parecer casual.

— Estranho… — murmurou, mais para si do que para ele.

Rafael a ouviu.

Ela virou o rosto para ele, hesitou meio segundo… e engoliu a primeira pergunta que quase escapou.

— Onde está… — parou. Respirou. — Onde está Clara? — perguntou, corrigindo o tom. — Ela deveria estar aqui para te receber.

A última frase veio com um desdém mal disfarçado.

Rafael percebeu. E sorriu de lado.

— A mãe dela sofreu um infarto. — respondeu. — Clara viajou para a terra dela.

Valentina arqueou uma sobrancelha, claramente surpresa. Depois, soltou um meio sorriso irônico.

— Ela tem família… — comentou, quase consigo mesma.

Rafael riu baixo. — Tem.

Ela deu dois passos à frente, cruzando o hall como quem perde o interesse no assunto.

— Por que perguntou? — ele quis saber.

Valentina não parou. — Por nada. — respondeu. — Achei que ela tivesse nascido de chocadeira.

Passou por ele sem olhar. Rafael sorriu ainda mais.

Subiram a escada em silêncio. O som dos passos ecoava mais do que deveria naquele espaço amplo demais, frio demais.

Valentina já ia virar para o corredor do próprio quarto quando sentiu o pulso ser segurado.

Rafael a puxou com firmeza contida, no alto da escada.

— Você vem comigo.

Ela virou-se de imediato.

— Para onde está me levando? — perguntou, tentando se soltar.

Ele não respondeu. Apenas a puxou.

Valentina o seguiu por dois passos antes de perceber.

— Rafael, eu quero ir para o meu quarto.

Ele abriu uma porta que ela já conhecia muito bem.

— Seu quarto é aqui.

Ela congelou.

— Você está louco. — sussurrou. — Sua mãe vai ver. E sabe muito bem o que—

— Não me importo. — ele interrompeu, já entrando. — Vittória está em um retiro espiritual.

Fechou a porta atrás deles.

Valentina mal teve tempo de reagir antes de sentir o corpo dele à frente, bloqueando qualquer fuga.

— Rafael—

Ele não respondeu.

Apenas a beijou.

Ali mesmo. Encostada na porta. Sem aviso. Sem cuidado excessivo.

Um beijo firme, intenso.

A porta ainda vibrava levemente quando Rafael se afastou o suficiente para encará-la.

Valentina não disse nada. Ainda estava com as costas apoiadas na madeira escura, o peito subindo e descendo rápido demais, os lábios sensíveis demais para fingir normalidade.

O quarto dele era exatamente como ela lembrava. Escuro. Sóbrio. Organizado demais.

— Ninguém entra aqui sem permissão. — Rafael disse baixo, sem tirar os olhos dela.

Valentina engoliu em seco. — Porque… — respondeu, tentando recuperar o fôlego — você sabe a confusão que vamos fazer se passarmos desse ponto.

Ele deu um passo à frente. Depois outro.

— Eu sei e não me importo.

A distância sumiu. Não houve pressa. Só aquela aproximação lenta que fazia o corpo entender antes da cabeça.

Rafael tocou o rosto dela com o dorso da mão. Não foi um carinho delicado. Foi um gesto consciente. Como se estivesse memorizando.

— Desde que você entrou nessa casa… — ele murmurou — nada ficou no lugar.

Não foi pedido ensaiado.

Nem comando.

Foi simples demais para alguém como ele.

Valentina abriu os olhos devagar. O olhar encontrou o dele — intenso, atento, perigosamente presente.

— Rafael… — ela começou, mas parou. Engoliu em seco. — A gente não devia dar esse passo.

Ele não se afastou.

— Eu sei o que parece. — respondeu. — Sei o risco. Sei o que isso pode virar.

O polegar dele desenhou um caminho lento na pele dela, consciente demais para ser distração.

Valentina respirou fundo. O coração batia forte demais para alguém que estava tentando ser racional.

— Você tá pedindo algo que não pode garantir. — ela disse. — E eu… eu não sei se consigo lidar com isso depois.

Rafael inclinou a testa contra a dela, os olhos fechados por um instante breve — raro nele.

— Eu não tô prometendo futuro. — disse. — Tô pedindo agora.

Ela sentiu aquilo como um impacto silencioso.

Agora.

Valentina levou a mão ao peito dele, sentindo o coração firme sob a camisa aberta.

— Você é péssimo pra pedir coisas simples. — murmurou.

— E você é péssima em não aceitar o óbvio quando deveria. — ele devolveu, quase um sorriso.

Ela ficou ali por alguns segundos. Tempo suficiente para pensar em contratos, em Vittória, em tudo que podia dar errado.

E mesmo assim…

Valentina não se afastou.

— Só hoje. — disse, por fim. — Só essa noite.

Rafael abriu os olhos.

O alívio passou rápido demais pelo rosto dele para ser escondido — e desapareceu na mesma velocidade, substituído por algo mais intenso.

— Então vem. — respondeu.

Não houve pressa depois disso.

Nem promessas.

Só a escolha consciente de permanecer — mesmo sabendo que o preço viria depois.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário