A manhã chegou silenciosa demais para alguém que tinha perdido tudo no dia anterior.
Valentina abriu os olhos antes mesmo do despertador tocar. Por alguns segundos, ficou imóvel, olhando para o teto, tentando lembrar quem era antes de tudo desmoronar. Não conseguiu.
Mas sabia uma coisa.
A vida não ia parar.
E ela também não.
Levantou-se devagar, tomou um banho rápido e se arrumou com cuidado, escolhendo uma roupa que devolvesse ao menos parte da imagem que sempre sustentou: impecável, controlada, intocável. O espelho ainda mostrava traços de cansaço, mas havia algo novo ali.
Frieza.
Quando desceu as escadas, o cheiro de café recém-passado preenchia o ambiente. A mesa já estava posta, elegante como tudo naquela casa, e Helena e Enzo estavam sentados, em silêncio, como se aquele momento fosse comum, como se nada tivesse mudado.
Mas tinha.
Valentina apareceu na entrada da sala de jantar, e Helena foi a primeira a reagir.
— Minha querida… o que faz acordada a essa hora? Você deveria estar descansando ainda.
Valentina forçou um leve sorriso.
— Já descansei demais. Agora eu preciso agir.
Helena a observou por um instante, como se medisse cada palavra, e então se levantou com naturalidade, aproximando-se dela.
— Antes de agir… você precisa se alimentar. Você e o bebê.
Sem dar espaço para recusa, a conduziu até a mesa.
Valentina sentou-se.
Enzo ergueu os olhos e sorriu de leve.
— Bom dia, Valentina. Come um pouco. Mamãe pediu para prepararem um mingau nutritivo… disse que costuma ajudar quando o estômago não colabora.
Helena sorriu, servindo o prato com calma.
— Na minha gravidez, eu enjoava tanto do Enzo que achei que ele ia nascer antes do tempo só para me dar paz.
O tom leve arrancou de Valentina um sorriso pequeno, quase automático.
E, por um segundo… ela sentiu algo estranho.
Conforto.
Algo que nunca tinha sentido na presença de Rafael e Vittória.
— Obrigada… — disse, sincera, olhando para os dois.
Começou a comer devagar, esperando que o corpo rejeitasse, mas, para sua surpresa, o estômago aceitou. A sensação de enjoo diminuiu, dando lugar a um alívio discreto que ela não esperava.
O silêncio voltou por alguns instantes, até Helena quebrá-lo com suavidade.
— E então, querida… o que pretende fazer agora?
Valentina parou por um segundo, a colher suspensa no ar, e depois continuou comendo antes de responder.
— Ainda não sei ao certo. Tenho trabalho acumulado, processos, papéis… preciso organizar tudo.
Helena levou a xícara de chá aos lábios, assentindo lentamente, como se compreendesse mais do que dizia.
— Eu imagino… separações nunca são fáceis. Eu perdi meu marido muito cedo e nunca mais quis me casar. Mas… cada história tem seu peso.
Ela inclinou levemente a cabeça.
— Rafael sempre foi um homem… difícil. Frio. Calculista. Ele nunca faz nada sem ter algum tipo de vantagem.
— Mãe… — Enzo interrompeu, com um tom contido — a Valentina não quer ouvir isso agora.
Mas queria.
E Helena percebeu.
Valentina ergueu os olhos, fixa nela.
— Não… — disse, mais firme. — Eu quero entender.
Houve um silêncio breve.
Helena respirou fundo, como se estivesse ponderando até onde devia ir.
— Você tem certeza?
— Tenho.
Enzo se mexeu na cadeira, desconfortável.
— Valentina, talvez seja melhor—
— Não, filho — Helena o interrompeu com calma. — Ela já está envolvida demais para continuar no escuro.
Os olhos dela voltaram para Valentina.
— Rafael nunca te contou que você tem direito à herança do meu pai?
Valentina franziu a testa.
— O quê?
— Com um filho… — continuou Helena, como se aquilo fosse apenas um detalhe — você passa a ter direito a parte das ações da Montenegro. Pelo menos quinze por cento.
O ar pareceu pesar.
— Ele também não te contou que internou a própria mãe porque descobriu que ela estava por trás das tentativas de sequestro as suas e também das mortes por trás daquelas cutículas bem aparadas de Vittória.
Valentina piscou, confusa.
— Mortes no plural…?


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