Uma semana tinha passado. Sete dias desde que o mundo de Valentina desmoronou, sete dias desde que tudo que ela acreditava começou a se desfazer como uma mentira mal sustentada. E, ao contrário do que qualquer pessoa esperaria, ela não tinha quebrado.
Ela tinha se reconstruído.
Não mais como a mulher que amava.
Mas como a mulher que julgava.
Mais fria. Mais calculista. Mais perigosa.
O escritório ainda estava em silêncio quando ela chegou naquela manhã. O tipo de silêncio que pesa, que ocupa espaço, que acompanha cada movimento como uma presença invisível. Nem mesmo os funcionários tinham coragem de falar mais alto quando ela passava.
E ela percebia.
Mas não se importava.
A porta da sua sala se fechou atrás dela com um clique seco, definitivo, como se selasse o mundo lá fora. Por alguns segundos, Valentina apenas ficou parada, respirando fundo, sentindo o ar entrar e sair, tentando manter o controle que agora precisava ser constante.
Então seus olhos se ergueram.
Direto para a parede.
O mural.
Ele ocupava quase toda a extensão, tomado por documentos que ela mesma havia organizado ao longo da semana. Pastas abertas, folhas marcadas, anotações feitas às pressas, ligações traçadas apenas na lógica da sua mente.
Nada ali era aleatório.
Tudo tinha um propósito.
E tudo levava para o mesmo ponto.
No centro… Rafael.
A fotografia dele estava fixada como o núcleo de tudo, impecável, confiante, com aquele olhar que sempre pareceu enxergar além de todos. O mesmo olhar que um dia fez ela acreditar que estava segura.
O mesmo homem que agora… parecia um estranho.
Valentina deu um passo à frente.
Os olhos deslizaram pelos papéis ao redor.
Transferências bancárias.
Contratos.
Registros que ela encontrou no galpão.
Pastas antigas com nomes que ela nunca tinha visto antes, mas que agora estavam conectados de uma forma clara demais para ser ignorada.
Ela lembrava perfeitamente.
O cheiro daquele lugar.
O pó.
O silêncio pesado.
As caixas esquecidas.
E dentro delas…
a verdade.
A mão se ergueu lentamente, passando por cima de um dos documentos, parando em uma fotografia presa um pouco abaixo.
Seus pais.
A imagem estava marcada.
Amassada nos cantos.
Mas ainda nítida o suficiente para doer.
A mãe caída.
O corpo sem movimento.
O sangue.
Tanto sangue.
O pai ao lado, o corpo pendido sem vida.
O peito de Valentina apertou de forma imediata, como se algo invisível tivesse fechado sua respiração por um segundo. Aquela imagem não era só uma lembrança.
Era uma ferida aberta.
E, pela primeira vez, ela não desviou.
Não virou o rosto.
Ela olhou.
Sentiu.
Reviveu.
O chão frio daquela lembrança.
O vazio.
A ausência.
E, como uma peça se encaixando de forma inevitável, os olhos voltaram para a foto de Rafael no centro do mural.
— Foi você… — sussurrou, a voz carregada, quase quebrada — sempre foi você…
Os dedos subiram, parando a poucos centímetros da imagem dele, mas sem tocar.
Como se ainda houvesse algo ali que queimasse.
— Como eu fui capaz… — continuou, a voz agora mais baixa, mais íntima — de amar alguém como você? Um monstro.
O silêncio não respondeu.
Mas dentro dela, algo reagiu.
Por um instante… um único instante… a mente tentou puxar outra coisa.
Não provas.
Não lógica.
Mas lembranças.
O jeito que ele segurava sua mão. O olhar que parecia sincero. A voz dizendo que ficaria. Que a protegeria.
Valentina fechou os olhos com força, como se quisesse esmagar aquela imagem antes que ela ganhasse espaço.
— Não… — murmurou.
Aquilo não era real.Não podia ser.
Quando abriu os olhos novamente, o que existia ali não era mais dúvida.
Era decisão.
A porta se abriu com cuidado, interrompendo o silêncio.
— Senhora…


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