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Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário romance Capítulo 303

A semana tinha transformado Valentina em manchete, em símbolo, em alvo e em arma ao mesmo tempo. Do lado de fora, o país inteiro discutia seu nome, seu casamento, sua denúncia e a queda de Rafael Montenegro como se tudo aquilo fosse apenas mais um espetáculo a ser consumido entre um café e outro. Mas, do lado de dentro, longe das câmeras, o que existia era outra coisa. Era cansaço. Era náusea. Era uma exaustão emocional tão profunda que às vezes ela sentia como se o próprio corpo estivesse lutando para não desligar.

Naquela tarde, o quarto estava silencioso demais quando ela se sentou na poltrona perto da janela, com uma pasta aberta no colo e os olhos perdidos em palavras que já não entravam de verdade. As provas contra Rafael estavam ali, organizadas, numeradas, marcadas com post-its e anotações. Tudo parecia sólido. Convincente. Irrefutável. E, ainda assim, olhar para aquilo por tempo demais fazia alguma coisa dentro dela apertar, como se até a vingança cobrasse um preço.

A batida leve na porta a trouxe de volta.

Antes que ela respondesse, a maçaneta girou e Enzo entrou com uma bandeja nas mãos, equilibrando o prato e um copo de suco com a naturalidade de quem já conhecia o terreno e não precisava pedir licença para oferecer cuidado.

— Valentina…

A voz dele veio baixa, quase cuidadosa demais, e ela ergueu os olhos devagar. O sorriso que surgiu em seus lábios foi pequeno, cansado, mas real. Não porque estivesse feliz. Estava longe disso. Mas porque, naqueles dias, Enzo tinha sido exatamente o que ela não sabia que precisava: uma presença constante, sem perguntas demais, sem cobranças, sem o peso de um passado atravessado por promessas quebradas.

— Trouxe comida — ele disse, aproximando-se. — Mamãe está convencida de que você está emagrecendo por raiva e teimosia, e sinceramente… eu não acho que ela esteja errada.

Valentina soltou um suspiro curto e fechou a pasta sobre o colo.

— Enzo, eu não estou com fome. Talvez depois que isso tudo passar eu consiga voltar a ser outra mulher, mas agora…

Ela não terminou.

Não porque faltassem palavras. Mas porque faltava energia para sustentá-las até o fim.

Enzo deixou a bandeja sobre a mesa lateral e se aproximou mais, devagar, sem invadir o espaço dela de forma brusca. Havia algo quase estudado no jeito como ele se movia, embora aos olhos de Valentina parecesse apenas delicadeza. Ele se abaixou um pouco diante dela e, antes que ela pudesse desviar, passou a mão pelo rosto dela num gesto leve, enxugando uma lágrima que ela nem tinha percebido que tinha descido.

— Valentina… lembra de voltar a ser humana — murmurou. — Não deixa o ódio te consumir por inteiro.

A frase bateu nela de um jeito estranho. Não como repreensão. Como abrigo.

E isso bastou para quebrar mais uma parte do controle que ela vinha tentando manter de pé desde o galpão.

As lágrimas voltaram, silenciosas, quentes, traidoras. Ela apertou os lábios, irritada com a própria fragilidade, mas Enzo não disse nada sobre isso. Apenas a puxou para perto num movimento natural demais para ser questionado, deixando que ela encostasse nele por alguns segundos, enquanto a mão dele subia e descia lentamente em suas costas, numa cadência calma, sustentando sem exigir.

Valentina fechou os olhos.

A sensação a desarmou mais do que deveria.

Porque não era paixão. Não era desejo. Não era nada daquilo que um dia tinha existido com Rafael. Era pior. Era conforto. E conforto, em momentos de ruína, vira vício com uma facilidade assustadora.

Quando finalmente se afastou, enxugou o rosto com pressa, quase envergonhada.

— Desculpa.

Enzo sorriu de lado, daquele jeito manso, fácil, que parecia existir só para não fazê-la se sentir pior.

— Se você pedir desculpa por chorar mais uma vez, eu vou ser obrigado a contar pra mamãe que você anda me desobedecendo.

Valentina soltou um quase sorriso, pequeno demais para chamar de riso, mas suficiente para suavizar o ar por um instante.

— Isso foi uma ameaça?

— Foi um aviso elegante.

Ela balançou a cabeça devagar, e então os olhos caíram sobre a bandeja.

Capítulo 303 — O colo antes da guerra 1

Capítulo 303 — O colo antes da guerra 2

Capítulo 303 — O colo antes da guerra 3

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