O choro ainda vinha em ondas quando batidas suaves na porta ecoou pelo quarto.
Valentina demorou alguns segundos para responder. Limpou o rosto com a palma da mão, respirou fundo, tentou reorganizar o mínimo possível de si mesma antes de dizer, com a voz baixa e cansada:
— Pode entrar…
A porta se abriu devagar.
E, por um instante, Valentina achou que seria Margareth.
Mas não era.
Helena entrou carregando uma bandeja, com a mesma elegância de sempre, mas com algo a mais no olhar. Algo mais próximo. Mais humano.
— Minha querida…
A voz veio suave, carregada de um carinho que Valentina não lembrava de já ter recebido.
Helena deixou a bandeja na mesa lateral e se aproximou sem hesitar. Não pediu permissão. Não fez cerimônia. Apenas abriu os braços com naturalidade.
E, naquele momento, Valentina não teve força para recuar.
Ela se deixou envolver.
O abraço foi firme, acolhedor, e bastou.
O choro voltou.
Mais silencioso, mais profundo, mais cansado.
Helena passou a mão pelos cabelos dela com delicadeza, depois desceu para as costas, fazendo movimentos lentos, constantes, como quem já tinha aprendido que, às vezes, não é preciso dizer nada — só sustentar.
— Isso… — murmurou baixo. — Deixa sair…
A voz não interrogava. Não invadia. Não exigia explicação.
Só permitia.
— A gente passa a vida achando que consegue dar conta de tudo… até perceber que não foi feita pra carregar o mundo sozinha — completou, com um leve tom de quem falava mais de si do que dela.
Valentina não respondeu.
Só chorou.
E, pela primeira vez desde que tudo desmoronou, não tentou segurar.
Com o tempo, o choro foi diminuindo, virando respiração pesada, depois apenas silêncio. Ela se afastou devagar, limpando o rosto, ainda evitando encarar totalmente aquela situação.
— Desculpa…
Helena segurou o rosto dela com cuidado, obrigando-a a erguer levemente o olhar.
— Não se desculpa por sentir, Valentina. Isso não é fraqueza… é o que ainda te mantém inteira.
Houve uma pausa breve antes de Helena sorrir de leve, suavizando o momento.
— Mas agora… você precisa comer.
Ela pegou a bandeja e trouxe para mais perto, sentando-se ao lado dela.
— O Enzo me contou — disse com naturalidade. — Parabéns pelo bebê.
Valentina ainda parecia absorver aquilo tudo, mas assentiu.
— Obrigada…
— E, por favor, nada de “Helena” nesse momento — acrescentou, com um toque leve de descontração. — Me chama de Lena.
O jeito foi quase íntimo, quase cúmplice.
— “Tia” me envelhece, e eu me recuso a isso — completou com um sorriso elegante.
Valentina soltou um pequeno sorriso, fraco, mas verdadeiro.
— Agora vem — continuou Helena, entregando a colher. — Nem que seja um pouco. Você pode não estar com fome… mas alguém aí está.
Valentina suspirou, mas aceitou.
Comeu devagar, mais por necessidade do que por vontade.
Helena permaneceu ao lado, em silêncio, respeitando o tempo dela, sem pressa, sem pressão.
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