"Isabella"
Augusto começou a fazer ligações, acionando advogados e pedindo orientações. Meu primeiro impulso, porém, era ir atrás do Carlos. O ódio era tão grande que chegava a me deixar tonta.
Karen tinha dito, antes de sumir, que eu deveria esquecer aquela história, que Carlos era perigoso.
Será que ela sabia o que ele estava planejando?
Senti vergonha de mim mesma. Vergonha por ser tão ingênua, incapaz de prever o que Carlos faria
Tudo na minha vida parecia um poço de mentiras, qualquer um me enganava com facilidade absurda.
Mas agora eu precisava destruir o Carlos de verdade e não seria como da outra vez. Eu não deixaria ele me fazer de idiota de novo. Nunca mais.
— Isabella? Olha pra mim. Respira. — Augusto falava comigo, mas eu mal conseguia focar. — Nós vamos dar um jeito nisso. Não se preocupa.
Como eu não me preocuparia? A situação era tão grave que eu podia ser presa.
— Eu preciso falar com a Karen. Não… na verdade, primeiro preciso falar com o Ícaro. Ele precisa saber que o meu nome foi pro lixo. Eu posso acabar prejudicando a Dois Irmãos…
— Nós vamos falar com ele — Augusto garantiu, segurando meu rosto e olhando nos meus olhos — Mas preciso que fique calma agora, não vai adiantar fazer nada impulsivo no momento, vamos pensar com calma.
Eu realmente não tinha levado nada de bom para o Ícaro, tinha trazido a Diana para a vida dele, e agora isso…
Augusto tentava me acalmar, mas eu me sentia zonza, raivosa, com vontade de correr até o Carlos e cometer um crime, dessa vez um que fosse minha culpa de verdade.
— Ele não vai fazer isso de novo comigo. Ele precisa pagar. Não é possível que não exista rastro de envolvimento dele, que ele faça tudo no nome dos outros sem se sujar. Tem que ter alguma coisa. O Carlos não é um supergênio do crime.
— Nós vamos encontrar. Ele não vai se safar disso — disse Augusto, convicto.
Mas eu não acreditava naquela convicção toda. Até agora o dossiê que ele havia feito do Carlos era quase todo especulação. Se não tínhamos encontrado nada sólido antes… por que encontraríamos agora?
— Amor, preciso que você fique calma — Augusto pediu, me olhando com carinho.
No nosso acordo eu teria vingança… mas até o momento eu só tinha trazido problemas, alguns que ele nem imaginava.
— Eu estou tentando. Precisamos falar com o Ícaro. Eu vou lá agora — falei, pegando minha bolsa.
— Calma. Nós vamos juntos. Antes precisamos resolver as coisas aqui.
Os advogados que Augusto acionou pediram tudo que tínhamos para começar a análise. Eu queria fugir dali, mas acabei ficando horas ajudando Daniela a organizar documentos, pastas, contratos… ao mesmo tempo em que ela preparava o próprio desligamento.
Tudo que meu pai tinha construído tinha ido pelo ralo. Não existia mais nada para lutar ou salvar.
Só restava me salvar.
No fim da tarde, Augusto me levou até o Ícaro. Só percebi meu erro quando estávamos chegando e, se a Diana estivesse ali… eu estava ferrada, quase pedi para o motorista voltar, mas não havia desculpa boa o suficiente e Augusto desconfiaria de alguma coisa.
Por sorte, apenas Ícaro e Sandra estavam no escritório. Ele estava concentrado em alguma coisa quando ergueu os olhos.
— Isabella, pensei que você não vinha hoje — ele disse, me encarando com seriedade. Provavelmente achou que eu estava ali por causa de Diana.
— É outro problema — respondi, tentando manter a calma.
E contei tudo o que estava acontecendo.
Percebi que Ícaro ficou aliviado ao saber que se tratava de um problema meu, e não de algo envolvendo Diana, o que só me fez pensar em como ele reagiria se soubesse que a mulher tinha puxado o tapete do próprio irmão?
— Espero que entenda a gravidade da situação.
— E você não entende que eu não tenho pai rico, Augusto — Ícaro retrucou. — Qualquer dia parado é prejuízo real, nós vamos dar um jeito.
Os dois ficaram frente a frente, tensos, a energia de dois alfas entrando em conflito.
Senti um aperto no peito, não era para nada disso acontecer.
— Chega — eu disse, finalmente me levantando. — Os dois têm razão. Mas eu não vou deixar que isso vire um campo de guerra, Augusto o Icaro tem razão, nós vamos dar um jeito.
Eles me olharam, mas não recuaram.
— Isabella, eu vou fazer tudo legalmente possível para te ajudar. Mas não vou parar a minha empresa. É a vida da minha filha que está em jogo também.
Augusto respondeu antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.
— Eu sei, e vamos fazer o possível para evitar que você seja prejudicado ou a Dois irmãos tenha o nome manchado por minha causa.
O silêncio que seguiu foi pesado e senti meu estômago se revirar. Por fim, Ícaro passou a mão na nuca e se afastou da mesa.
— Eu quero te ajudar — ele disse, olhando para mim, não para Augusto. — Vamos analisar tudo, a Sabrina vai levantar todos os clientes que você trouxe e preciso que você envie tudo que tem. Tem outra coisa, infelizmento vou ter que pedir que fique longe daqui.
Segurei o braço de Augusto para ele não falar nada, Icaro tinha razão, eu tinha que ficar longe, mas mesmo sabendo disso me senti mal, punida por algo que não fiz.
— Claro. Você tem razão.
O clima entre os dois ainda era pesado, mas pelo menos tinhamos chegado em um acordo, mais ou menos. Depois de passar para Ícaro e Sabrina toda a documentação que eu tinha, fui embora, sentindo que tinha perdido alguma coisa e com mais raiva de Carlos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...