"Diana"
Ícaro me beijava, pareciamos um casal de adolescentes se agarrando no sofá, enquanto o filme passava esquecido.
Por mais que eu corresse, por mais que tentasse evitar, ele era uma droga, quanto mais eu tinha, mais eu queria. Isabella era uma chata, mas tinha razão. Estava noiva não podia fazer isso com Ícaro. Eu não era um monstro completo, tinha consciência que tinha contar a verdade, tinha certeza que tudo acabaria nesse momento e adiava a cada dia.
Eu estava pronta para me entregar ali mesmo na sala, se não tivesse ouvido o som do portão. A filha dele tinha chegado. Eu já tinha visto a menina mais vezes do que deveria, trocado mais palavras do que necessário.
Nos ajeitamos, tentando parecer que não estávamos fazendo nada demais.
Valentina entrou já falando. Quando percebeu que eu também estava ali, abriu um sorriso. Senti algo estranho… fazia tempo que ninguém ficava tão feliz em me ver. A única pessoa que agia assim era minha avó.
— Que bom que você está aqui! Quero te convidar para a minha festa de aniversário. Vai ser aqui mesmo, uma coisa simples. Meu pai sempre encomenda um bolo maravilhoso. Só vêm algumas amigas. Você pode vir? — ela perguntou, toda empolgada.
Por um momento, não soube o que responder. Eu só aparecia ali à noite e desaparecia de manhã. Nunca em horário de dia, muito menos em uma festa. Ícaro ficou calado, deixando que eu decidisse. Eu queria dizer não, fugir dali mais uma vez sem explicação. Mas diante de Valentina, perdi a coragem. Ela sorria de maneira tão espontânea e bonita.
— Claro, eu vou adorar — respondi, sentindo culpa por ser mentirosa.
Valentina ficou tão feliz que me abraçou e saiu correndo para o quarto dizendo que precisava tomar banho.
— Você não precisa vir, se não quiser. Não se sinta obrigada — disse Ícaro baixinho, depois que ela saiu.
Olhei para aquele homem lindo, que não merecia alguém como eu, que me tratava como seu fosse alguém realmente importante para além do meu sobrenome.
— Eu quero. Ela ficou tão feliz… não seria justo não vir.
Ele me observou atentamente, talvez percebendo que a aproximação entre mim e a filha dele era grande demais. Eu ainda era uma estranha misteriosa; ele não sabia quase nada da minha vida, só minha profissão e que eu era irmã do Augusto.
— Tudo bem, desde que você esteja bem — disse me abraçando e dando um beijo nos meus cabelos.
Eu não merecia aquele homem de forma nenhuma. Mais uma vez ouvi a voz da Isabella dizendo que eu estava transformando Ícaro em amante, que ele era bom demais para mim.
— Por quê? — perguntei, mesmo sabendo que não deveria. — Eu vivo fugindo, não falo nada… por que você ainda se preocupa comigo? E se eu não for a pessoa que você pensa que eu sou?
— Gosto de ter uma namorada misteriosa — Ícaro disse com naturalidade.
Senti meu coração disparar, em nenhum momento tinhamos discutidos sobre rótulos, sobre o que era nosso relacionamento.
Eu estava apaixonada. Tão apaixonada que doía.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido