"Isabella"
O cheiro de alho frito tomava a cozinha. Com tudo que vinha acontecendo, cozinhar era o melhor a fazer ainda era a única coisa sobre a qual eu tinha algum controle. Dourar o alho para preparar uma bela panela de arroz enquanto a carne assava. Até pretendia fazer um bolo de chocolate para dar um toque especial.
— Quer segurar ele um pouquinho? — ouvi a voz de Karen falando com Augusto. Automaticamente, olhei para onde eles estavam na sala.
Augusto tentou recuar, mas Karen colocou Heitor no colo dele. O menininho deu uma risadinha e Augusto que parecendo um tanto desconfortável, acabou segurando-o. Era fofo. Encarei os dois, sentindo uma mistura confusa de emoções dentro de mim.
Karen riu, se aproximou de Augusto e ajeitou alguma coisa na roupa dele. Ela estava próxima demais, rindo demais. Ele encarou ela e riu de alguma coisa. De longe, pareciam uma família. O ciúme veio como uma onda avassaladora, me cegando por um momento, uma vontade louca de agarrar minha irmã pelo braço e jogar longe.
Os dois nunca tiveram muita intimidade, por que essa aproximação repentina?
— Nossa, queimou alguma coisa? — Perguntou Karen, rindo. Rindo para Augusto e colocando a mão no braço dele.
O cheiro de alho queimado interrompeu meus pensamentos e precisei tirar a panela do fogo.
O alho estava perdido. Eu também estava perdida. Sempre que Karen chegava perto de Augusto, eu me revirava por dentro, imaginando situações, cenas iguais a dela no dia da festa. Queria mandar ela para casa, mas sempre que tentava tocar no assunto perdia a coragem diante da imagem da minha irmã tão magra.
Eles continuaram conversando enquanto eu lavava a panela para fritar o alho de novo. Tentei prestar atenção no que fazia, mas meus olhos sempre acabavam voltando para eles na sala, me sentindo excluída.
Meu celular vibrou vários vezes, múltiplas mensagens chegando. Já imaginando que alguma coisa ruim tinha acontecido, desbloqueei o aparelho com as mãos trêmulas.
Mas eram fotos. Como sempre, fotos de Augusto. Só que dessa vez era um lugar que eu conhecia, ele estava no outro apartamento, sem paletó, com as mangas da camisa dobradas até o cotovelo, à vontade. E Juliana segurava uma taça de vinho. Várias fotos, os dois juntos. Isso só podia significar uma coisa.
Olhei para ele ainda com Heitor no colo, conversando com Karen. Ela pegou no braço dele e riu, uma risada que eu conhecia. Já tinha visto Karen usar com homens. Uma risada sedutora, ensaiada para encantar.
Será que Augusto me traía com a minha irmã também?
A minha vida parecia uma roda de hamster. Eu sempre voltava para o mesmo lugar, girando, girando, sem sair do lugar. Carlos me roubando, Karen me roubando.
Terminei de fazer o arroz, sentindo que podia explodir a qualquer momento. O celular continuou vibrando, mas eu já não tinha vontade de abrir. Tinha certeza de que quem mandava as fotos era Juliana, tentando com todas as forças ter o amigo de farra de volta.
— É Isabella — corrigi, sem disfarçar o incômodo.
— Ainda com isso? — Ela riu, debochada. — É só um apelido. Bela é o apelido natural de Isabella, aliás.
Eu odiava ser chamada assim. Sempre odiei. E ela sabia. Sabia e fazia de propósito. Era infantil da minha parte reagir, eu reconhecia, mas simplesmente não conseguia impedir.
— Está tudo bem? — Augusto me observava de forma analitica.Ele percebia quando algo estava errado. Sempre percebia, e isso começaca a me irritar, não queria ser um livro aberto para ele.
— Tudo ótimo — respondi, seca, dura.
Olhei para o homem que eu era meu marido. Quando ele me encarava daquele jeito preocupado, uma parte de mim derretia, querendo acreditar nele, querendo confiar. A verdade era simples, eu era loucamente apaixonada por ele. O desejava com todas as forças. Queria que ele me amasse na mesma intensidade. Queria que construísse uma família ao meu lado.
— Tem certeza? — Ele pegou minha mão com um carinho que desmontava minhas defesas. Me transformaria em uma Alice ou Juliana obcecada por ele.
— Tenho sim. Não se preocupe — respondi mais suave do que pretendia. Me senti tola por amolecer tão facilmente. Por ser tão vulnerável a um simples toque.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...