"Isabella"
Diana tinha ficado pálida e, mesmo sem querer, senti pena. Ela tinha mentido e sustentado a mentira, mas agora não havia mais como negar. Pela cara de Oliver, a bomba ia estourar, e não dava mais para segurar. Além do mais, nós duas sabíamos o tipo de homem que ele era, lixo e inconsequente que poderia fazer alguma coisa.
— O que você vai fazer? — perguntei.
— Contar a verdade… e ir embora — respondeu, com lágrimas nos olhos.
Fiquei surpresa por ela estar ali, na festa de Val. Achava que era só um caso escondido, nada sério. Mas Diana amava Ícaro e a filha… e os dois também a amavam, era nitido. E isso era impossível de muitas formas, principalmente porque ela faria exatamente o que eu avisei para não fazer: quebrar o coração dele.
Eu queria ajudar, mas a verdade é que não conseguia nem me ajudar. Eu mesma tinha empurrado meus problemas para debaixo do tapete.
— Hoje é um dia de festa. Não precisa falar nada agora. Eles estão felizes. Tenho certeza de que o Oliver não vai fazer nada hoje — Me vi em uma situação complicada, tentando consolar uma mulher que mentia e manipulava, e que nem gostava de mim na verdade.
— Obrigada — Ela falou com a voz um pouco embargada.
Deixei Diana e fui para casa. Ter ido à festa tinha sido ótimo para aliviar um pouco, esquecer tudo por algumas horas… mesmo que, no final, nada tivesse saído como planejado.
Quando cheguei, já era tarde. A casa estava silenciosa, Augusto provavelmente já tinha dormido. Subi as escadas e fui direto para o meu quarto. Abri a porta — que não estava totalmente escuro — e vi o contorno dele. Mas, conforme me aproximei, percebi que Augusto não estava sozinho.
Dormindo ao lado dele, nua e tranquila, estava Karen.
Meu sentimento deveria ser choque, raiva… mas a verdade é que não me surpreendi. Era como se eu estivesse esperando que isso acontecesse a qualquer momento. Fiquei por um instante encarando os dois na penumbra, dormindo profundamente.
Karen tinha feito de novo. Tinha me enganado mais uma vez, se fazendo de santa, de doente, de arrependida para se enfiar na cama do meu marido. Da primeira vez eu não tinha percebido, agora eu mesma tinha colocado ela dentro de casa.
O que dobrava meus sentimentos.
Bati a mão no interruptor, e a luz acendeu bruscamente, iluminando tudo. Roupas espalhadas pelo quarto, Augusto nu sob o cobertor. Ele não acordou de imediato, mas Karen sim — os olhos semicerrados pelo clarão repentino.
— Isabella…? — ela murmurou, sem enxergar direito.
Então abriu os olhos de vez e me viu. Não teve nem a decência de fingir surpresa. Ela queria que eu visse. Queria que eu visse que ela estava me roubando outro marido.
— Eu posso explicar — disse, levantando-se e se enrolando no lençol. — A gente estava só conversando, aconteceu…
O mesmo discurso de sempre. Que “aconteceu”, que ela “se apaixonou”, que merecia ser amada. Mas dessa vez esse papo não ia colar. Eu não era mais a mesma Isabella.
— Karen, você é uma vagabunda.
— Bela… — ela disse, assustada, quando larguei minha bolsa no chão. Antes que pudesse reagir, puxei seu cabelo com força.
— Isabella! — ela gritou. — Augusto, me ajuda!
Augusto apenas resmungou alguma coisa, colocou as mãos no rosto, mas pareceu não acordar totalmente.
— Eu vou jogar você na rua — rosnei, arrastando-a pelo quarto. O lençol caiu, e Karen ficou completamente nua. Não era a primeira vez que ela fazia isso. Já estava virando rotina.
— Isa, me deixa colocar uma roupa! Pelo amor de Deus! — ela implorou, gritando mais alto quando percebeu que eu a levava para fora.
Karen não tinha tanta força para lutar comigo. Consegui arrastá-la pelo corredor e descer as escadas, esperneando e chorando, até abrir a porta do apartamento. Minhas mãos firmes no cabelo dela. Ela desceu assim, pelo elevador, nua, gritando, tentando se soltar.
— Cala a boca! — eu disse entre dentes. — Vai para a sua casa assim, nua, para todo mundo ver a vagabunda que você é!
— Você está me machucando, por favor, Isabella… não faz isso… por favor… — ela chorava, desesperada.
Quando o elevador abriu no térreo, continuei arrastando Karen diante do olhar chocado dos seguranças, que não ousaram me interromper. Mandei abrir a porta e a joguei na calçada. Nua, chorando, o rosto marcado de lágrimas, descabelada.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido