"Diana"
Valentina me puxou para o quarto assim que cheguei, empolgada, querendo minha ajuda para fazer a maquiagem e o penteado.
— Eu queria uma maquiagem bonita, sabe? Daquelas que parecem feitas no salão. Nada muito extravagante, mas elegante… igual a sua — ela disse entusiasmada — Queria ser bonita igual a você.
— Mas você é linda.
— Mas eu queria saber me maquiar e me vestir assim igual a você, tudo fica bonito e elegante.
— Vamos ver o que tem aqui e vou dar umas dicas.
Sorri e peguei o que ela tinha disponível para tentar fazer exatamente o que ela queria e ensinar alguns truques para o dia a dia. Era fácil conversar com ela.
Em toda a minha covardia, passei a semana me afundando no trabalho, evitando Ícaro. Oliver apareceu em casa para jantar, mas não conseguimos conversar e tudo terminou mal de novo, agora com o agravante que meu pai meu pai exigia que eu me acertasse com o meu noivo.
E agora eu estava ali, no quarto de Valentina, ajudando com maquiagem e roupa, enquanto o pai preparava a festa de aniversário na sala.
— Meu pai até perguntou se eu não queria fazer a festa no salão, mas eu nem tenho tantos amigos assim… e quero economizar. Quando terminar os estudos, vou fazer intercâmbio, prefiro gastar com a viagem.
— No meu último aniversário, fiz uma mega festa numa balada, mas sinceramente… devia ter usado tudo pra ir ao Japão.
— Você nunca foi ao Japão? — ela perguntou, impressionada.
— Não, acredita?
— Mas você é rica! Não devia conhecer todas as cidades do mundo! Se eu fosse rica, ia conhecer tudo. Ia passar um mês em cada cidade, experimentar todas as comidas, subir a Muralha da China, fazer um mochilão na Nova Zelândia, conhecer os fiordes na… Naruega! É o meu sonho.
— Nossa, você realmente tem planos de conhecer o mundo.
— Meu pai diz que eu posso fazer o que quiser, desde que eu estude. Acho que vou ser blogueira de viagens. Mas antes, ele fala que eu tenho que fazer faculdade, vou guardar dinheiro e quando terminar a faculdade quero ficar um ano viajando, nada com muito luxo, se precisar vou trabalhar em troca de hospedagem.
Eu era rica, fiz faculdade e fui trabalhar na empresa da família. Viajei com a minha mãe para os principais pontos turísticos do mundo e nada além disso, podia ter conhecido mais lugares ao invés de sempre fazer a mesma coisa. Nunca viajei sozinha. E o meu sonho? Assumir a empresa da família?
— Tenho certeza de que você vai realizar todos os seus sonhos — respondi. E era verdade. Eu tinha tanta certeza que, se Icaro deixasse, pagaria por eles. Valentina era cheia de vida e merecia realizar cada um deles.
Terminei a maquiagem e o penteado. Ela adorou e me abraçou. Apesar de ter amigas, os dois não tinham parentes próximos. Imagino que ser criada apenas pelo pai — ainda que fosse um pai amoroso e presente — não apagasse a falta de uma mãe. Eu não deveria pensar nisso, mas não conseguia evitar. Nunca tinha pensado em ter filhos, mas se tivesse… adoraria que fosse uma menina igual a Valentina. E que o pai fosse Ícaro.
Quando fomos para a sala, Valentina correu para receber as primeiras amigas que chegavam, toda vaidosa com os elogios.
— Você está linda — Ícaro me abraçou e beijou meu pescoço.
— Você também não está nada mal…
— Obrigada por ajudar a Val, nesses momentos eu não sou muito útil.
— Ela é uma menina maravilhosa é sempre um prazer ajudar.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido