"Diana"
Quando finalmente consegui me acalmar, veio a consciência de que precisava ir embora, tinha perdido completamente o controle. Mas a verdade é que eu simplesmente não conseguia sair do lugar. Não conseguia sair do abraço de Ícaro.
— Vamos subir, você come alguma coisa — ele disse, preocupado. Ícaro deveria me mandar embora, mas eu via nos olhos dele que não faria isso. E, contra todos os argumentos que tentei repetir para mim mesma, aceitei.
— Vou colocar comida para você. — Ícaro pegou um prato e me serviu o almoço. Mesmo enjoada, me obriguei a comer. Não imaginava o quanto estava com saudade da comida dele… e da presença dele.
Icaro não disse nada. Apenas se sentou ao meu lado, me observando comer com aquele olhar silencioso que sempre me desmontava. Val não saiu do quarto, e eu podia imaginar que estava tentando nos dar espaço, criando esperança de que existia ainda alguma chance entre nós dois.
Havia uma intimidade naquela cena. Eu, ali, sentada na cozinha dele, comendo como se fosse da casa, como se fosse rotina. Podia viver aquele momento todos os dias da minha vida. Eu o queria. Queria aquela vida ao lado dele. Mas eu era Diana Salvatore.
Meu estômago revirou mais uma vez com todos aqueles pensamentos dentro de mim, com medo de vomitar de novo, respirei fundo e parei de comer. Ícaro notou na mesma hora que me segurava e me olhava preocupado.
— Obrigada… a comida estava deliciosa, como sempre. Mas eu preciso ir. — Levantei-me devagar. A tontura tinha passado, mas o enjoo, não. Se eu ficasse mais um pouco, talvez realmente largasse tudo. Talvez engolisse todo o orgulho.
— Você está melhor? — ele perguntou.
— Sim, bem melhor. Fiquei sem almoçar… já vou, não quero te atrapalhar.
— Você nunca atrapalha. — Ele respirou fundo. — Me desculpa pela forma como falei com você antes. Eu só fiquei preocupado com a minha filha. Quando você chegou aqui daquele jeito, eu imaginei o pior. Vou conversar com ela. Isso não vai acontecer de novo, imagino que ela tenha ido atrás de você.
— Ela está preocupada com você.
— Não tem com que se preocupar, eu vou conversar com ela, já tem idade para compreender as coisas e que a vida não é do jeito que a gente quer.
Eu não sabia como responder. Precisava ir embora. Mas queria ficar.
— Se cuida. — Aproximei-me dele e me despedi com um beijo no rosto. A razão venceu e preferir acabar logo com a conversa e ir antes de tornar mais dificil.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido