"Diana"
A única coisa que eu ainda conseguia fazer era trabalhar sem parar — uma ótima forma de calar os pensamentos sombrios. E, à noite, me entupir de remédios para dormir, para não ter que pensar no Ícaro, pegar o carro e terminar na porta dele no meio da noite, pedindo perdão. Cada dia que passava era mais díficil defender as minhas escolhas.
Minha secretária bateu à porta; eu tinha perdido completamente a noção do tempo e já tinha passado do horário de almoço. Ultimamente eu mal comia, me sentia cansada e enjoada da vida.
— Eu trouxe o seu almoço — ela disse, entrando. — E tem uma moça na recepção querendo falar com a senhora.
— Tem horário marcado? No momento estou ocupada, não vou atender ninguém.
— Ela disse que se chama Valentina. E que é urgente.
Meu coração deu um salto, imaginando o pior. Alguma coisa tinha acontecido com o Ícaro? Pedi para deixá-la entrar. Eu não tinha conseguido me despedir da Val… e sentia saudade dela.
A menina entrou tímida, olhando ao redor, provavelmente percebendo a diferença entre mim e o pai.
— Está tudo bem? — perguntei preocupada, levantando e indo até ela.
Ela me olhou e pude ver a mágoa ali. Eu a tinha ferido. Tinha sumido sem dar explicações, era a única mulher que Ícaro levou para casa depois que a mãe dela foi embora. Aquilo me quebrou por dentro. tive vontade de abraçá-la, de trazer conforto.
— Está tudo bem… quer dizer, não está.
— Senta aqui — indiquei o sofá. — Quer alguma coisa? Água, refrigerante?
— Não, tudo bem — respondeu triste, o que aumentou ainda mais o peso na minha consciência.
— O que aconteceu? Pode falar.
Ela pensou um pouco, olhando ao redor.
— Meu pai não explicou direito por que vocês terminaram. Mas disse que você não ia voltar. E agora ele anda triste. Ele não dá o braço a torcer, mas eu sei que está sofrendo…
O aperto aumentou dentro do meu peito. Todo o sofrimento que eu tinha levado para aquela família… doía em dobro.
— Você não ama meu pai?
— É claro que eu amo o seu pai.
— Então o que aconteceu? Por que vocês não podem ficar juntos?
— É complicado…
— Quando a minha mãe foi embora, ele sofreu muito. Ficava preocupado comigo, me levou na terapia, me levava no parque todo fim de semana. Foi em todas as apresentações da escola. Eu era novinha, mas lembro… Acho que ele tinha medo de eu me sentir sozinha e abandonada, e tentava ao máximo preencher o vazio que ela deixou. Depois de você, ele ficou mais leve. Mais sorridente.
Valentina tinha lágrimas nos olhos, e eu me senti um monstro. Que tipo de pessoa escolhe um casamento armado e podre com Oliver? Olhei para minha sala elegante, organizada, fria, tentando lembrar porque desejava tanto aquilo.
Eu a abracei. Senti uma emoção diferente, um desejo de protegê-la, de acabar com aquele sofrimento. Eu tinha fugido com todas as forças daquele sentimento, lutado contra ele, e mesmo assim perdi a guerra dentro de mim. Sabia que o melhor era me afastar, com o tempo eles superariam. Mas eu… eu não sabia se conseguiria.
— Preciso te levar em casa antes que seu pai fique preocupado.
— Eu disse que ia passar na casa de uma amiga…
— Val…
— Eu precisava vir. Saber o que aconteceu.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido