"Augusto"
Eu não bati à porta.
Empurrei com força, sentindo a madeira se chocar contra a parede, O funcionário tentou dizer alguma coisa, mas eu passei direto. Conhecia aquele caminho melhor do que ninguém. O escritório do meu pai sempre foi o centro de tudo, decisões, manipulações, sentenças.
Ele estava sentado atrás da mesa, impecável como sempre. A calma dele só aumentou a minha fúria, conhecia muito bem o olhar o meu pai, ele já sabia que eu viria aqui depois de tudo.
— Que porra você fez? — perguntei, sem rodeios.
Ele levantou os olhos devagar, como se eu fosse uma interrupção menor.
— Boa tarde, Augusto.
— Não brinca comigo — avancei alguns passos. — O contrato do meu casamento vazou. Cada cláusula, cada valor. Eu sei muito bem que tem dedo seu nisso.
— Era inevitável, você não conseguiria guardar seu segredinho sujo por muito tempo.
Aquela palavra me fez perder o pouco controle que ainda restava.
— Inevitável é o caralho! — bati a mão na mesa.
Meu pai me observava como se estivesse avaliando um erro de projeto.
— Você sempre foi impulsivo — disse. — Chega acusando antes de pensar.
— Eu pensei, eu pensei muito bem. Tenho certeza de quem foi a responsável por abrir o cofre da minha casa, mas ela não faria isso sozinha, não vazaria o contrato sem motivo nenhum, não sem antes tentar uma vantagem financeira.
Ele se recostou na cadeira, cruzando os braços.
— Isso só prova que estou certo, você é impulsivo e inconsequente, não passa de um moleque. Não foi difícil descobrir que sua cunhada não valia nada, mais fácil ainda entrar em contato, ela nem hesitou quando ofereci dinheiro para procurar o cofre e descobrir o que tinha dentro, um dinheiro muito bem investido, que só prova que você nem sabe quem põe dentro de casa.
Meu estômago revirou.
— Ela vendeu o contrato para você.
— E tudo que tinha dentro do seu cofre, provas da sua vida devassa, suas contas fora do pais, e o mais importante seus planos para um dia ocupar o meu lugar — respondeu com frieza.
— Você destruiu a minha vida — falei, sentindo a voz falhar de raiva. — Transformou meu casamento em piada. Expos a Isabella a um escândalo.
Ele sorriu de canto. Um sorriso frio, calculado.
— Não seja dramático. Quem fez isso foi você, no momento em que decidiu chamar de casamento algo que nasceu como contrato, vou confessar por um momento que achei que a menina realmente não traria problemas, mas subestimei sua capacidade analitica, já tivemos essa conversa, agora espero que coloque a cabeça no lugar, acabe com esse casamento, nós dois sabemos que você não vai a lugar nenhum, vai voltar para empresa, pedir desculpas e seguir com o seu cargo.
Respirei fundo, tentando não partir para cima dele.
— O que te faz achar que vou voltar? — perguntei, baixo. — Como você mesmo viu, eu tenho dinheiro.
Ele inclinou a cabeça, satisfeito.
— Boa pergunta. Você vai voltar, você quer isso aqui, meu lugar, não vai ficar em casa lamentando por um casamento fracassado, você gosta de poder Augusto, de dominar a narrativa, no fundo é igual a mim, vai fazer de tudo para a ter o que deseja.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido