"Camila"
— Você demorou — ela disse, balançando a arma entre os dedos como se fosse um brinquedo entediante.
Parei a alguns metros dela. Nicole estava logo atrás de mim; eu sentia sua respiração curta, errática. Uma voz gritava na minha cabeça que aquela era uma péssima ideia, mas eu a ignorei. Olhar para Júlia depois de tudo o que ela causou só fazia a raiva queimar o resto de bom senso que me sobrava.
— Não achei que você fosse tão burra de vir sozinha — Júlia continuou, dando de ombros. — Imaginei uma equipe, polícia, seguranças... todo aquele show que o César fez para te salvar da última vez. Mas você realmente veio. Quer dizer, se contar com essa aí... Mas com ela eu não preciso me preocupar.
Uma rajada de vento cortante passou pela ponte, agitando o tecido leve do meu vestido. Eu parecia uma aparição no meio do nada, diante de uma mulher armada. Se eu tivesse parado para raciocinar antes de armar esse plano, talvez não tivesse chegado ali.
Mas parar para pensar não era mais uma opção. Não com ela.
Nicole me puxou com força pelo braço. O movimento repentino me desequilibrou, e ela me arrastou para trás da estrutura metálica da ponte, obrigando-me a agachar com ela.
— Isso é loucura, Camila! — Nicole sussurrou, não tinha medo na voz dela — Você tem que chamar a polícia... o César... essa doida vai matar a gente! E cadê aquele desgraçado que prometeu cobertura? Eu sabia que não podia confiar!
— Eu não quero te matar, não precisa se esconder — a voz de Júlia ecoou, fria, como se estivesse lendo os pensamentos de Nicole. — Matar você seria fácil demais... quer uma prova. Pronto. Agora podemos conversar.
Ouvi o baque metálico. Júlia jogou a arma no chão; ela deslizou pelo asfalto, parando a poucos metros de nós.
— É uma armadilha — Nicole sibilou, segurando meu pulso com força — O Viktor queria me ensinar a atirar, droga, devia ter ouvido ele....
Eu me desvencilhei. Não por coragem, mas por um cansaço, deveria sentir medo, mas o sentimento parecia adormecido. Levantei-me, saí de trás da estrutura e deixei Nicole para trás, encolhida nas sombras. Caminhei até a arma, peguei o objeto e me aproximei de Júlia. Ela apenas sorriu.
— Vai me matar? — desafiou ela. — Não acho que você tenha estômago para tanto. Embora o fato de você estar aqui seja... surpreendente, o que você tinha em mente?
— Isso termina aqui — respondi, minha voz soando mais firme do que meu corpo se sentia. — Eu não vou passar o resto da vida sendo perseguida por você.
— Perseguida? — Ela repetiu a palavra como se tivesse um gosto amargo. — É assim que você chama?
— Como você chamaria? Delirio? Doença?
— Eu chamaria de consequência. — Os olhos dela se fixaram nos meus, carregados de um ódio antigo. — Ele escolheu você. Desde sempre. Mesmo quando não deveria. Mesmo quando eu estava lá, fazendo tudo por ele, ainda assim ele escolheu você. Sabia que ele viu meu filho nascer? Segurou ele no colo, ficou ao meu lado no hospital, me deu esperanças.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo rugido do rio lá embaixo e pelo assobio do vento.
— Você vai ter tudo o que era para ser meu — ela continuou, a voz agora baixa, quase íntima. — E você nem vai valorizar. Vai acordar ao lado dele todo dia sem entender o que tem. Sem saber o preço que foi pago.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...