"Camila"
— Se você me matar, eu mato ela — Júlia sibilou, a boca do cano pressionando minha têmpora.
Arrisquei um olhar de soslaio. Nicole estava estirada no asfalto. Viktor estava agachado sobre ela, uma das mãos pressionando o corpo dela e a outra segurando uma arma apontada firmemente para nós.
— Quem disse que eu ligo para ela? — A voz de Viktor era puro gelo.
Eu sabia que ele não estava brincando. Para ele, eu não era ninguém, Viktor queria a Júlia. Mas eu não morreria ali, naquela estrada esquecida. No segundo em que Júlia hesitou, distraída pela frieza de Viktor, eu agi. Usei meu joelho com toda a força que restava e segurei o pulso dela, desviando a arma para o alto. O disparo ecoou, rasgando o silêncio da madrugada, e o impacto do recuo a fez desequilibrar.
— Viktor! Cuida da Nicole! — gritei, avançando sobre Júlia.
Eu não sabia se Nicole estava viva, e o medo de que ela estivesse morta por minha causa se transformou em uma fúria cega. Acertei um soco no rosto de Júlia. Não foi técnico, mas foi certeiro o suficiente para atordoá-la e fazer a arma e a faca deslizarem para longe no escuro.
O que se seguiu foi um caos de sobrevivência. Rolamos pelo asfalto áspero. Júlia era forte, movida pelo despeito, mas a minha adrenalina era maior. Eu a chutei, a empurrei e, finalmente, consegui montá-la, agarrando um punhado dos seus cabelos e batendo sua cabeça contra o chão. Meu braço sangrava, meu vestido era agora um trapo sujo de poeira e sangue, mas eu não sentia dor. Só uma coisa crua, que era mais que ódio.
— Você acha que vai me vencer? — Ela jogou a cabeça para trás, atingindo meu nariz. O gosto de ferro encheu minha boca, mas eu não soltei.
— Eu já venci você — sussurrei no ouvido dela, as palavras saindo como um veneno.
— Precisamos ir para o hospital! Ela não vai aguentar! — O grito de Viktor quebrou minha concentração. O pânico na voz daquele homem, sempre tão cínico, me sentir um arrepio na espinha. Nicole estava morrendo.
Em um segundo de distração, Júlia se desvencilhou. Sem armas, ela provou ser a covarde que eu sempre soube que era: virou as costas e correu. Levantei-me com dificuldade, as pernas tremendo, e a derrubei novamente poucos metros depois. Nos embolamos em uma luta corporal frenética, unhas, dentes, chutes.
— Você é uma praga na minha vida! — Júlia berrou, cravando os dedos no corte aberto em meu braço.
A dor excruciante me fez ver estrelas. Gritei, perdendo o fôlego, e ela aproveitou para inverter as posições. Júlia agora estava sobre mim, o rosto transfigurado em uma máscara de loucura.
— Mudei de ideia. Agora eu quero te matar. Vamos ver se o César se recupera dessa perda tão trágica.
Ela ergueu o corpo, um sorriso triunfante, e sujo iluminando sua face, outra faca na mão. Então, um estrondo seco. O corpo de Júlia deu um solavanco violento. Ela me encarou por um milésimo de segundo, os olhos perdendo o foco, e desabou sem vida sobre o meu peito.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...