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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 308

"Camila"

A visita à Nicole durou apenas cinco minutos. Ela era forte. Muito forte.

Tinha sobrevivido a uma cirurgia complicada e, agora, seguia lutando. Os médicos diziam que as próximas quarenta e oito horas seriam decisivas, mas ela estava reagindo bem. Era nisso que eu tentava me agarrar.

Antes de ir ao hospital, passei horas na delegacia. Primeiro com os advogados, depois dando depoimento. Repeti a mesma história tantas vezes que, em algum momento, ela começou a soar real até para mim.

— Não é essa história que você vai contar na frente do escrivão — o advogado disse, firme.

César estava sentado ao meu lado durante toda a conversa, em silêncio, o olhar distante.

Eu evitava olhar para ele por muito tempo, era mais fácil agarrar a mão da minha prima, que também não saiu do meu lado.

— Você não pode mencionar Viktor. Nem o plano ou o encontro marcado com a Júlia — o advogado continuou. — Porque, se fizer isso, você se coloca diretamente numa situação criminal.

Assenti em silêncio, já imaginava que seria assim. Por sorte, não tinham encontrado vestígios de pólvora nas minhas mãos. Também não existia nenhuma prova concreta de que eu tinha marcado aquele encontro, ajudava que Júlia que tinha um rastro criminal.

— Então a versão oficial é simples — ele explicou. — Você e Nicole tiveram os pneus furados e foram emboscadas pela Júlia. A presença do Viktor é mais difícil de justificar, mas não dá para fingir que ele não estava lá. Policiais o viram fugindo, existem duas armas disparadas… então vamos manter a história básica: ele apareceu do nada durante a confusão e acabou.

— Entendi.

— Não invente detalhes. Não tente melhorar a história, só repita exatamente isso.

E foi o que eu fiz. Repeti cada frase com cuidado. Mais de uma vez.

A investigação seguiria seu curso, mas eu saí dali sem ser acusada de nada. Nem sequer era considerada suspeita. Júlia já era procurada pela polícia. Viktor também. No papel, eu era apenas mais uma vítima.

Mas escapar da polícia não diminuía a sensação de fracasso, muito menos a culpa. Principalmente depois de ver Nicole na UTI e de perceber o jeito como César me olhava quando achava que eu não estava vendo.

Ele estava magoado. Tentava esconder, disfarçar atrás do silêncio e da preocupação, mas eu percebia. Via na forma distante como me olhava, nas pausas longas demais, nas palavras medidas com cuidado. Eu tinha quebrado a confiança entre nós.

Por isso nem insisti que viesse comigo, mesmo cansada, com dor, não podia deixar Nicole sozinha.

Saí do quarto da UTI precisando respirar e comecei a andar pelo corredor do hospital, perdida nos próprios pensamentos.

Quando senti uma mão me puxar de repente, outra tampou minha boca. Tentei me soltar, mas não tinha forças, e a dor nos meus pontos, me deixou tonta.

— Shhh… quieta.

Meu coração disparou.

Virei assustada e encontrei Viktor me arrastando para dentro de um quarto vazio. Assim que fechou a porta, soltei o braço dele imediatamente.

— O que você está fazendo aqui? Ficou maluco? — Disse me afastando, Viktor vestia um uniforme de enfereiro completo, incluindo até uma máscara no rosto.

— Desculpa, não queria te machucar. É que precisava ver...— Viktor não terminou de falar, mas ele nem precisava explicar. Nicole.

— Ela está aguentando — falei mais baixo. — O médico disse que ela está reagindo bem. As primeiras quarenta e oito horas são as mais importantes, mas… ela vai sair dessa.

Viktor abaixou a cabeça por um instante.

— Eu sei. Eu sei que vai.

Aquilo me pegou desprevenida. Eu tinha visto o desespero no olhar dele quando Nicole foi baleada, mas o homem na minha frente agora parecia realmente abalado, as olheiras fundas, a expressão cansada, o peso evidente estampado no rosto.

— Você não devia ter vindo aqui, ficou maluco — rebati. — Eu guardei o cartão. Ia mandar uma mensagem, mas não tive tempo.

Capítulo 102 1

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