"Camila"
A vida tinha o hábito irritante de ser uma caixinha de surpresas. Eu já deveria ter me acostumado com as rasteiras e reviravoltas do destino, mas, aparentemente, eu nunca aprendia.
Não fazia nem duas semanas que tínhamos desfeito as malas da lua de mel. Minha cabeça ainda estava fervilhando de ideias: eu já tinha esquematizado meus horários para voltar a treinar pole dance com a Lucy e passara os últimos dias testando combinações de xaropes e especiarias para criar um novo cardápio de bebidas na Lush, inspirada nos sabores dos países que conhecemos.
Era para ser o nosso momento de curtir a casa nova. E ela tinha ficado perfeita: ampla, arejada, com a luz do sol inundando a sala e cada canto transbordando a nossa personalidade. Mas, naquele momento, eu não estava curtindo a casa. Eu estava trancada no banheiro da suíte, encarando as paredes de azulejos azuis que eu tinha escolhido, esperando um minuto que parecia durar uma eternidade inteira.
Eu não tinha dito uma única palavra ao César sobre a minha desconfiança. Não tinha falado com ninguém. Na minha cabeça, filhos eram um plano para dali a dois ou três anos. Nós mal tínhamos arranhado a superfície desse assunto em nossas conversas.
Olhei para a bancada da pia. Dois risquinhos cor-de-rosa.
Meu coração deu um solavanco contra as costelas. Não, devia estar errado. Peguei o segundo teste, o mais moderno que comprei na farmácia da esquina, aquele com visor digital que não deixava margem para erros ou interpretações. Esperei mais três minutos, andando de um lado para o outro, roendo a unha do dedão.
Quando olhei de novo, a palavra estava lá, nítida e implacável: Grávida.
— Meu Deus… — sussurrei, a voz sumindo na imensidão do banheiro.
Eu estava grávida. Pensando bem, não deveria ser um choque tão grande; passamos dois meses em uma bolha de amor pelo mundo, tirando o atraso de anos de separação e angústias. O resultado biológico estava ali. Mesmo assim, minhas pernas vacilaram. Um frio na barriga, misturado com um pânico genuíno, subiu pela minha espinha. O que eu ia fazer? Falar com o César imediatamente? Ele lia meu rosto como um livro aberto; bastaria um olhar para ele saber que algo tinha mudado.
Assustada, resolvi falar com a minha prima, Isabella. Ela saberia o que fazer, ou pelo menos o que eu deveria fazer, porque eu já não sabia mais.
Ela era mãe de gêmeos, É claro que saberaria o que dizer.
"Meu Deus… e se gêmeos forem uma predisposição genética da família?", pensei sozinha no trânsito, apertando o celular com força, o pânico querendo se transformar em riso nervoso.
Quando cheguei à casa de Isabella, fui recebida pelos gritos caóticos dos gêmeos, que corriam pela sala em um jogo frenético de pega-pega, enquanto duas babás tentavam mantê-los longe das quinas dos móveis.
O palacete da família Salvatore, como eu costumava chamar, era enorme. Eu jamais conseguiria me imaginar morando ali e não sabia como Isabella não se perdia naquele lugar. Ainda assim, com as crianças correndo de um lado para o outro, a sala parecia até pequena.
Minha prima me olhou surpresa, ajeitando o cabelo enquanto vinha em minha direção.
— Camila? Que surpresa! Daqui a pouco eles têm aula de natação e vão finalmente gastar o resto dessa energia — ela disse, rindo, mas logo parou, semicerrando os olhos para mim. — Está tudo bem? Você parece que viu um fantasma.
— Estou grávida — joguei a informação no ar, sem filtros, porque se guardasse mais um segundo, explodiria.
Isabella piscou, processando. No segundo seguinte, um sorriso enorme se abriu em seu rosto e ela me puxou para um abraço apertado.
— Meu Deus! Que notícia maravilhosa!
Mas o abraço durou pouco, porque ela logo sentiu meu corpo rígido e percebeu que eu estava prestes a hiperventilar.
— Vem, vamos para a cozinha. Você precisa sentar e beber uma água, a avó do Augusto saiu para dar uma caminhada, então temos mais privacidade — ela me guiou pela mão, afastando-nos do barulho das crianças. Sentamos à mesa da copa. — Vai dar tudo certo, respira. É normal o susto.
— Tenho certeza de que você não ficou assustada com os seus — murmurei, apoiando os cotovelos na mesa. — Eu não tinha planos para agora, Isa. Acabamos de voltar da lua de mel. Eu sinto que não estou preparada.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Paguei pelo capítulo 301 e ele sumiu...
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...