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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 315

"Nicole/Iris"

Eu sabia que Camila me escondia alguma coisa.

Acordar e perceber que estava viva foi um choque. Mal me lembrava do tiro, dos eventos, do que tinha acontecido naquela noite; não imaginava que sobreviveria. Minha última lembrança era auditiva: a voz de Viktor pedindo para eu não morrer. Na verdade, eu nem sabia se tinha imaginado ou ouvido de verdade.

Foi assim que acordei, desorientada, confusa por estar viva. Aos poucos a mente foi clareando, com Camila me visitando sempre e preenchendo as lacunas. Me sentia fraca e cansada naquela cama de hospital, tentando me recuperar. Ali, eu não era a "Nicole" em busca da irmã; eu era a Íris, uma jovem de vinte e poucos anos, vulnerável.

Meu pai não merecia mais esse baque, esse susto de quase perder uma filha. Eu não queria fazer isso com ele, mas não me arrependia de nada. Tinha sobrevivido, e era isso.

Mas Camila me escondia algo, disso eu tinha certeza.

Eu tinha perguntado por Viktor. Sabia que não deveria me importar, mas não consegui evitar. Tive que perguntar como ele estava, se tinha acontecido alguma coisa com ele, mas Camila apenas respondeu que ele tinha fugido. Era isso, estava foragido, como sempre.

Ele jamais poderia me visitar como uma pessoa normal, e eu jamais deveria pensar nele dessa forma. Ainda assim, às vezes, quando a porta do quarto se abria, eu esperava com uma expectativa completamente infundada que ele passasse por ela, desesperada querendo ouvir a voz dele, sentir o calor do abraço.

Jamais tinha me passado pela cabeça sentir qualquer coisa por Viktor. Ele era um criminoso, assim como o namorado da minha irmã. Era o que eu repetia para mim mesma todos os dias: que eu precisava dele apenas para um fim específico. Mas, na convivência diária, as coisas se perdiam, se confundiam.

As lembranças me assombravam no tédio do hospital. Lembrava de quando eu voltava do trabalho exausta e ele me esperava com um prato de comida, cuidando de mim com uma delicadeza que desarmava todas as minhas defesas.

Na intimidade daquela cozinha, as barreiras caíam: eu me abria, ele se abria. Conversávamos sobre coisas aleatórias, fúteis, e logo estávamos falando sobre nós mesmos, sobre as nossas dores, permitindo uma passagem secreta entre os nossos mundos que jamais deveria existir.

Naqueles breves momentos, o monstro desaparecia. Ele era apenas um homem charmoso, e eu, uma garota normal.

Então, a realidade surgia entre nós: o abismo que nos separava.

Mas, em uma maca de hospital, sem nada para fazer, era mais difícil esquecer. As lembranças vinham, junto com a saudade que eu não deveria sentir. Uma semana antes do tiro eu tinha perdido a cabeça Tentei apagar aquela noite da mente, mas o corpo lembrava. O toque dele na minha cintura era um incêndio. O beijo... violento, urgente, desesperado, como se ele soubesse que o tempo estava acabando. Eu tinha cedido por completo, me entregando àquele perigo.

Eu sentia uma saudade maldita, uma saudade que eu preferia morrer a admitir.

Agora eu já conseguia caminhar, estava bem. O médico já falava em alta. Era o momento de ir para casa, juntar meus cacos e recomeçar a busca pela minha irmã. Era nisso que eu focava quando Camila entrou no quarto.

— E como você está hoje? — ela perguntou, se aproximando da cama. Eu já tinha dito que ela não precisava se sentir culpada e me visitar todo dia, mas Camila não desistia. Não faltava um único dia, ela e Lucy tinha se transformado em minhas amigas de verdade.

— Melhor do que ontem. Quero me sentar, pode me ajudar?

Ela ajudou com cuidado, me amparando da cama até a poltrona.

— Alguma novidade? — Perguntei. Era uma forma disfarçada de saber sobre Viktor, e me xinguei mentalmente por isso.

— Nenhuma.

Camila começou a falar do vestido, do casamento... Estava mais falante do que o costume, e isso me deixou em alerta.

— Camila, aconteceu alguma coisa? — perguntei, interrompendo o monólogo.

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