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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 319

"Iris"

Observei o sol se pôr no horizonte, pintando o céu com tons de laranja e violeta. Já tinha visto a mesma cena milhares de vezes, mas ainda era um espetáculo que me deixava emocionada.

A praia, àquela hora, já se esvaziava. O burburinho de turistas dava lugar ao som calmo das ondas enquanto todos voltavam para suas casas, pousadas ou hotéis para começar a noite. Aquele era o meu momento favorito. Com o mar quase deserto, eu sempre tirava uma pausa de uma hora na rotina para dar um mergulho e lavar a alma.

Sacudi a areia da canga, juntei minhas coisas e caminhei de volta pelo calçadão de paralelepípedos. Nossa casa ficava a poucos minutos dali, logo acima da confeitaria que havíamos aberto. Há três anos, quando minha irmã finalmente voltou para nós depois de tudo o que sofreu, meu pai e eu tomamos uma decisão radical: vendemos tudo o que tínhamos e mudamos para bem longe do caos da cidade grande. Encontramos este vilarejo bucólico e sossegado, o cenário perfeito para Olivia se recuperar. Aqui, longe dos gatilhos do passado, ela tinha sol todos os dias, um grupo de esportes na praia e a terapia que tanto precisava.

Tinha sido a melhor decisão das nossas vidas.

Ao me aproximar, avistei Olivia e meu pai na porta da confeitaria, encostados no balcão de madeira clara enquanto observavam o movimento calmo da rua, um ritual que repetiam todo fim de tarde.

— Só você para querer nadar nessa água fria a essa hora — comentou Olivia, rindo e jogando um pano de prato por cima do ombro assim que me viu chegar.

— Não está tão fria assim, juro. É ótimo para acordar o corpo — respondi, lhe dando um beijo no rosto.

Ouvir o som do riso dela era como uma melodia. Tinha levado muito tempo — entre sessões dolorosas de terapia e tratamentos — para que Olivia voltasse a sorrir, a conversar espontaneamente e a não se assustar com qualquer barulho mais alto.

A confeitaria tinha sido a nossa salvação. Depois de um curso de doces que fizemos juntas, Olivia se apaixonou pela cozinha. Ver o brilho nos olhos dela me deu a ideia de abrirmos o nosso próprio lugarzinho. Como meu talento não se estendia ao forno, já tinha desandado muita massa de bolo para me arriscar, combinamos que ela comandaria as receitas enquanto eu cuidaria do atendimento e da administração.

Subi para o nosso andar, tomei um banho rápido e vesti o avental, quando olhava no espelho ainda ficava um pouco chocada, minha vida havia mudado drasticamente em três anos. Eu não era mais aquela Nicole que trabalhava na noite, circulando por lugares duvidosos, se colocando em risco constante, andando com spray de pimenta na bolsa e dando abrigo para fugitivos.

E, ainda assim... eu continuava presa a um fantasma.

Abri a gaveta da cabeceira e encarei o caderno onde guardava a carta de Viktor. Três anos. Já tinha cogitado jogá-la fora, rasgá-la em mil pedaços ou queimá-la para apagar o passado de uma vez por todas. Mas a verdade é que eu nunca conseguia. De vez em quando, a fraqueza batia e eu me pegava relendo aquelas linhas mais uma vez, como se não tivesse decorado palavra por palavra.

— Sabe o que eu acho? — a voz de Olivia me sobressaltou quando desci as escadas. Ela estava organizando os últimos doces na vitrine. — Você deveria tentar de novo um aplicativo de namoro. Ou melhor, deveria sair mais, conhecer gente nova. Por que não faz outra viagem?

Aquele era um assunto recorrente e cansativo. Olivia ainda carregava o medo inconsciente de ser um estorvo, uma obrigação que tinha feito minha vida estagnar. Por isso, insistia tanto para que eu seguisse em frente, arrumasse um namorado, vivesse.

— Deus me livre de aplicativo de namoro — brinquei, tentando aliviar o clima. — Esqueceu o que aconteceu da última vez? O sujeito sumiu no meio do encontro e me deixou com a conta enorme para pagar.

— Aquilo foi um azar, só uma experiência ruim e um pouco engraçada.

— Foi só um exemplo. Se for para acontecer, vai ac.ontecer naturalmente. Mas... talvez você tenha razão sobre a viagem. Posso pensar em algo.

Olivia assentiu, parecendo satisfeita, mas ela sabia — mesmo que preferisse não tocar no assunto — que o mochilão de vinte dias que eu fiz por alguns países no ano passado não tinha sido só a turismo. Tinha sido uma busca idiota, movida por uma esperança cega de dobrar uma esquina em qualquer lugar do mundo e esbarrar em Viktor.

Obviamente, a vida não era um filme de Hollywood. Por segurança, eu tinha viajado com um grupo de mulheres, compartilhando cada passo em tempo real com a minha irmã e visitando apenas pontos turísticos clichês, tirei fotos, sorri, me diverti, mas meus olhos vasculharam cada rosto naquela multidão.

— Iris, você não pode esperar para sempre — ela disse baixinho, me observando com atenção.

Não, eu não podia. Minha vida era boa, eu era feliz ali. Não fazia sentido viver à sombra de um homem que tinha sido categórico em sua última carta: nós nunca mais nos veríamos. Ainda assim, uma parte boa de mim de mim ainda esperava por um sinal.

— Tudo certo com o bolo? — perguntei, mudando abruptamente de assunto.

— Tudo perfeito! — Olivia mudou de postura na hora, animada. — Ingredientes especiais na caixa térmica, malas prontas e as decorações protegidas.

Camila era o tipo de amiga que não aceitava distâncias. Mesmo depois da nossa mudança repentina, ela nunca deixou o vínculo morrer; ligava toda semana e, de tempos em tempos, trazia a família para passar uns dias na nossa praia.

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