Tirar o sapato foi um alívio — eu nem sabia como ainda conseguia andar. A festa finalmente tinha acabado e, dentro do carro, me permiti relaxar um pouco. Estávamos a caminho de casa, garanti que ele poderia fazer o que quisesse com o vestido, desde que fossemos para a casa primeiro, eu precisava de um banho e dormir um pouco para aguentar uma viagem de avião.
— Espero não ter que encontrar a Aline de novo na minha frente — Augusto falou, pegando meu pé dolorido e fazendo uma massagem. Eu já estava praticamente deitada no banco do carro.
— Espero que tenha ido presa.
— Não foi infelizmente.
— Como é? Ela me agrediu e era capaz de me matar, como não foi presa? — Como aquela infeliz tinha escapado da cadeia ?
— Eu sei. Também queria que fosse presa, mas a família conhece a minha avó. Apelaram. Pelo que fiquei sabendo, levaram ela para longe. Dessa vez garantiram que não volta mais ao país.
— Ainda acho um absurdo — resmunguei. O jeito que eles resolviam algumas coisas era irritante.
— Sabe, ficar nessa posição não ajuda — Augusto me encarava com olhar de predador. Eu estava quase totalmente deitada, a fenda do meu vestido aberta, provavelmente dando a ele visão da minha calcinha minúscula de renda. O decote também estava quase escancarado.
— Controle-se, estamos quase chegando — dei um chutinho fraco nele. Augusto agarrou minha perna, beijando minha canela, lançando arrepios pelo meu corpo. Sorte que o motorista estava concentrado na estrada e não podia ver o que estava acontecendo no banco de trás, porém ele ainda podia ouvir.
Ele passou a massagear a parte interna da minha coxa, me deixando sem ar e morrendo de vergonha do gemido que soltei, meu marido não tinha vergonha nenhuma na cara.
Sabia que facilmente perderia a linha quando estava nas mãos dele, e já estava por um fio quando meu celular começou a vibrar na bolsinha. Ignorei, mas a pessoa insistia.
— Deve ser algo importante — falei, tentando pegar a bolsa.
— Nada é mais importante — ele disse, apertando ainda mais a minha coxa.
Era Camila. Por que minha prima estaria me ligando? Só podia ser urgente. Já três ligações perdidas e ela insistia de novo.
— Camila?
— Isa, eu sei que não é o momento, mas não tinha como não ligar. É urgente — a voz dela estava nervosa. — Ficamos sabendo agora… A Karen sumiu. Já faz dois dias. Desapareceu com o filho, mas só registraram o boletim de ocorrência ontem.
Sentei no banco, me ajeitando, sentindo um arrepio gelado no corpo.
— Explica isso direito. Ela sumiu com o filho? E o Carlos também sumiu? Eles podem ter fugido juntos.
— Foi ele quem registrou o desaparecimento. O Carlos ainda está na casa. A irmã dele veio aqui. Parece que faz dois dias que ela sumiu, mas só registraram ontem. A mulher não quis dar detalhes. Disse apenas que a Karen sumiu, não disse como ou onde, perguntou se a gente sabia de alguma coisa.
O coração disparou. O medo se espalhava. Era a mesma sensação que senti quando a polícia ligou para falar do acidente dos meus pais. Karen tinha me traído, me roubado, mas ainda era minha irmã. E estava com o meu sobrinho, um bebê que não tinha culpa de nada.
A culpa me atravessou como uma faca. Eu deveria ter tirado ela daquela casa mais rápido. Em vez disso, o casamento tinha consumido meu tempo, e eu simplesmente deixei pra lá, achava que tinha tempo para conversar com ela de novo.
— Obrigada por avisar. Vou tentar descobrir o que está acontecendo.
Augusto, depois de ouvir tudo, disse que avisaria o advogado e o John, o chefe de segurança. Ele tinha contatos em delegacias e poderia descobrir algo mais rápido.
O clima acabou. Quando chegamos em casa, tirei o vestido, tomei banho, enquanto Augusto fazia ligações explicando o que estava acontecendo. Minha cabeça girava com os piores cenários. Não conseguiria dormir em paz, sem pelo menos ter algumas respostas.
Alice arregalou os olhos, ficou muda e não me impediu de entrar. Augusto veio ao meu lado em silêncio, me deixando conduzir a situação. Alguns seguranças se espalharam pela rua, observando.
Carlos estava sentado no sofá, parecendo um homem destruído. Mas eu não era mais idiota, sabia que era apenas fingimento.
— O que você fez com a Karen?! — perguntei. — E não adianta vir com essa cara. Eu sei muito bem quem você é, e você sabe que eu sei de tudo.
Carlos se levantou, olhou pra mim, depois para Augusto e o segurança que entrou conosco.
— Eu não fiz nada com a minha esposa — Declarou.
— Não mente pra mim, Carlos. Eu descobri tudo sobre você. Estive aqui e falei com ela, a minha irmã estava com medo de você, apavorada, vai me dizer que é inocente? Você fez alguma coisa sim com a minha irmã.
— Você acha que sou um monstro? Que teria coragem de fazer algo com meu filho e minha esposa?
— Você mentiu. Você roubou durante anos, manipulou. Eu não sei quem é você ou do que é capaz...
— Posso ter meus defeitos, mas eu nunca faria nada contra minha família.
— Ela tinha medo de você...
— Ela não tinha motivo pra ter medo, nunca teve, Você acha sabe alguma coisa sobre mim? Foi sua irmã quem começou tudo. A Karen roubou seu pai, roubava desde a época da escola. Você não sabia?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...