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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 81

"Isabella"

— Karen? — sussurrei, com medo de ser uma alucinação.

— Sou eu — ela falou baixinho, parecendo aliviada. — Me ajuda, por favor. Preciso da sua ajuda.

— Onde você está? O que aconteceu? — perguntei, o coração disparado, as mãos suadas.

— Vou te mandar o endereço, mas venha sozinha. Por favor, não fala para ninguém.

— Você fugiu? — perguntei, assustada com o tom de voz dela.

— Por favor, me ajuda. Eu vou mandar o endereço e explicar tudo. — Ela chorava no telefone.

Karen desligou. Logo em seguida chegou uma mensagem com o endereço, de um número diferente daquele que tinha ligado.

Ela parecia muito assustada. Olhei em volta, o motorista esperava dentro do carro e, um pouco mais atrás, um dos seguranças fora do carro.

Karen pediu que eu fosse sozinha e que não contasse nada a ninguém. Eu sabia que não era uma ideia inteligente, mas não queria correr o risco de perdê-la de vez, de alguma coisa dar errado.

Sem pensar muito nas consequências, atravessei a rua correndo e entrei numa padaria com duas saídas. Saí pela outra e peguei o primeiro ônibus que apareceu.

Não vi o carro dos seguranças me seguindo; tive certeza de que não sabiam para onde eu ia. Procurei o endereço na internet e anotei num papel da bolsa, era longe, quase duas horas de ônibus, para outra cidade.

Desliguei o celular e segui para o destino.

Por causa do trânsito levei mais de duas horas para chegar. Sentia o coração na boca, agoniada por ter demorado tanto e com medo do que iria encontrar. Depois de tanto tempo desaparecida, eu não fazia ideia de como Karen estava.

O endereço era uma casa velha, numa rua quase deserta. Do ponto de ônibus até lá tive que andar cerca de vinte minutos. Se não houvesse indícios de vida aqui e ali, diria que a rua estava abandonada, muitas das casas pareciam vazias, em evidente deterioração.

Ninguém me seguiu e meu celular continuava desligado. A casa era a pior de todas, o portão estava enferrujado, as janelas com vidros quebrados e o mato crescido. Por um instante pensei que tinha sido enganada, pior do que pensar que encontraria algo horrível ali era não encontrar nada. Então a porta velha de madeira rangeu e, por uma fresta, vi Karen fazer sinal para eu entrar.

Senti alivio e entrei rápido com medo de alguém me ver. Ela trancou a porta assim que passei e eu pude abraçá-la, senti o peso sair dos meus ombros, ela estava viva, e isso era o que importava no momento.

— Vem, vamos para outro cômodo — disse ela, pegando minha mão e me arrastando pela casa. — Aqui é horrível.

Se fora a casa era ruim, dentro era pior. Pensar que Karen havia passado as últimas semanas ali parecia absurdo, mas era a verdade.

As janelas fechadas deixavam o ambiente em penumbra; a luz era fraca demais para o lugar sujo, velho e decadente, que parecia desabar a qualquer momento.

Mas Karen vivia, pelo visto, num cômodo nos fundos que era um pouco melhor. Lá, meu sobrinho dormia num bercinho, a coisa mais nova e limpa do lugar, tinha uma aparência saudavel e bem cuidada.

— Vou fazer um café. — O espaço era uma espécie de sala e cozinha.

— Você estava aqui o tempo todo? — perguntei.

Karen ficou em silêncio por um momento, mexendo nas coisas do café. Estava muito diferente da última vez que a vi, o cabelo preso, sem brilho, mais magra; uma mulher cansada, quase irreconhecível, a pomposa irmã de antes havia desaparecido.

— Não fiquei aqui o tempo todo — respondeu ela, suspirando —. Estava em outra casa, mais exposta. Vim para cá porque precisava fugir. Ele não me deu escolha.

— O Carlos? — perguntei, já sabendo.

— Você não entende... — murmurou ela, a voz embargada.

— Então me fala, me explica. Me deixa te ajudar.

— Eu tenho dívidas... dívidas enormes. Depois que não conseguia mais dinheiro no banco, comecei a pegar com um agiota. Uma ideia estúpida, eu sei, mas eu deslumbrada, queria viver uma vida que não era a minha. A coisa virou uma bola de neve. O Carlos ficou sabendo de tudo, não sei como. Ele pagou a dívida, veio falar comigo... me ajudar. Minha vida já tinha saído dos trilhos, eu estava sem amigos, sem dinheiro e ele me estendeu a mão.

— Karen... — tentei interromper, mas ela continuou.

— Eu tinha vergonha de falar com você. Sabia que você diria que me avisou, que esse meu estilo de vida ia dar errado. Enfim, ele apareceu num momento em que eu estava frágil... e eu me apaixonei. De verdade. Pela primeira vez na vida. Eu não pensava em mais nada, só nele.

Ela respirou fundo, as lágrimas caindo.

— O resto você já sabe. Eu fiquei grávida... e fiz o que fiz. A partir daí tudo começou a desmoronar. Quando você se envolveu com o Augusto, o Carlos ficou furioso. Jogava na minha cara tudo o que tinha feito por mim. Vieram as ameaças, a violência e, quando percebi quem ele realmente era, já era tarde demais.

Fiquei alguns instantes sem palavras. Em algum lugar dentro de mim ainda doía tudo aquilo, mas olhei pro meu sobrinho e pra minha irmã, que parecia ter descido ao inferno. Vi que precisava superar o que eu sentia pra poder ajudá-la.

— Eu vou te ajudar — disse com firmeza. — Olha pra mim, juntas vamos acabar com o Carlos.

— Como? — ela perguntou, quase sem esperança.

— Primeiro, vamos sair daqui agora e procurar um advogado. — respondi.

— Eu não tenho para onde ir.

— Claro que tem, nós vamos para a minha casa.

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