"Isabella"
Augusto dormia profundamente, todo torto no sofá, ainda com as roupas do dia anterior.
Quando ele saiu de casa, eu já imaginava que faria alguma coisa. Karen tentou me consolar, mas eu não quis falar sobre o assunto. Apenas esperei. Nem tomei remédio para dormir, mas o tempo passava devagar, e imaginava que talvez ele não voltasse, que com certeza tivesse ido para o outro apartamento, provavelmente acompanhado, talvez até mesmo de Juliana.
Um pensamento pior que o outro me corroía, acreditar na palavra de Augusto quando dizia que não tinha me traído; ouvir que ele não pensava em ter filhos quando esse era o meu maior sonho; imaginar se ele voltaria para casa ou se estava se divertindo… tudo isso me torturava.
Andei de um lado para o outro até receber a mensagem de Camila dizendo que ele tinha ido para a Lush, bebido até cair e sido levado pelo irmão. Eu não queria ser a esposa que vai atrás do marido bêbado, mas não consegui me segurar e, de manhã, já estava na porta do César. Agora, olhando Augusto dormir, eu não sabia exatamente o que fazer, o que afinal pretendia indo até lá.
A casa de César era bem diferente da de Augusto, clara, minimalista, impessoal. Não consegui evitar pensar em Camila, se ela morasse ali, o lugar já teria se transformado em um caos colorido, com muitos quadros na parede.
Resolvi fazer um café e tentei decidir como conversar com Augusto. Apesar de César achar que tudo tem conserto, eu não acreditava. Augusto sempre foi um conquistador, e no fundo a culpa era minha por ter caído tão fácil nos encantos dele… mas seria difícil não cair, afinal dividíamos a casa, a cama e eu não era de ferro.
Lembrei dos primeiros dias na nossa convivência, dos treinos às cinco da manhã, dele reclamando da lasanha e repetindo mais um pedaço enquanto me acusava de sabotar a dieta que dava a ele aquele corpo pecaminoso.
— Isa… — Augusto estava de pé, com a cara amassada e o cheiro de café invadindo a sala.
— A Camila me avisou que o César te trouxe para cá. Ele já foi trabalhar. Quer café? Você parece que foi atropelado por um rolo compressor.
— Eu me sinto atropelado por um rolo compressor. Preciso de um banho antes. — Ele saiu pelo corredor, onde imagino que ficasse o banheiro.
Vinte minutos depois, voltou com outras roupas, uma calça de moletom e uma camiseta que com certeza pegou do irmão.
— Acho que recuperei um pouco da dignidade — disse, pegando uma xícara e enchendo de café.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, apenas nos encarando.
— Então… — Ele desviou o olhar. Os cabelos ainda molhados, a expressão cansada, lindo e irresistível. Pensamentos que eu tentava controlar. — O que nós vamos fazer agora?
— Lembra quando o acordo era mais simples? Você queria uma esposa, eu queria vingança…
— Você conseguiu sua vingança, conseguiu a empresa, a casa, descobriu quem seu ex-marido realmente é… Esse casamento era para ser apenas um contrato. Nada demais. Só que ele se tornou real. Quando eu disse “sim”, estava consciente de que casava de verdade, de que aceitava você como minha esposa… até a sua irmã sumir e você se afastar.
— Você também se afastou. Me desculpa se eu não consegui ser a sua mulher enquanto pensava na minha irmã desaparecida. — minha voz saiu carregada de sarcasmo e amargura.
— Estamos rodando em círculos mais uma vez, Isabella — ele disse, colocando a xícara na pia. — Ontem você disse que era melhor manter o plano original. Ótimo. Podemos fazer isso. Colocamos um travesseiro no meio da cama de novo, sem problema nenhum.
O tom de Augusto era ácido, cortante.
— A culpa é minha por ter acreditado, por um momento, que podíamos ter um relacionamento. Eu me esqueci de que uma pessoa como você nem sabe ter algo sério. Para você, casamento só funciona se for regado a sexo e diversão.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido