"Diana"
Ícaro partiu um pedaço de bolo e colocou na minha frente — um bolo que ele mesmo tinha feito.
Tinha virado uma rotina maluca: às vezes eu aparecia de dia, às vezes de noite, dormia ali e era mimada na manhã seguinte com ele me servindo café da manhã.
Cada dia eu dizia que seria o último. E, no entanto, terminava na cama dele, querend mais no dia seguinte. Não saíamos para lugar nenhum; existíamos somente ali, naquela casa. Ícaro não perguntava, não pressionava. Eu não tinha ideia do que era aquilo entre nós. Só sabia que não poderia existir.
— Tudo bem? Você está distraída — Ícaro estava apoiado na pia, com uma xícara de café. Ali eu não era Diana Salvatore, Diretora de Marketing da Seg29, futura herdeira, futura noiva de outro homem em um casamento arranjado apenas como um mero acordo comercial. Ali eu era só Diana.
— Não é nada… é só um problema no trabalho. — De vez em quando conversávamos sobre nossos trabalhos, o que eu fazia, o que ele fazia. Ícaro era um homem inteligente, que montou uma empresa do zero, obteve sucesso, chamou a atenção da Isabella e cresceu ainda mais. Mas ele gostava de pôr a mão na massa; era um homem de ação.
Eu ficava louca só de olhar para ele, perdia discernimento, nunca tinha sentido nada parecido.
Eu não podia continuar com aquilo. Eu tinha planos, objetivos. Não podia me envolver mais nessa aventura.
— Pai, esqueci… — A porta da cozinha abriu de supetão e uma adolescente surgiu. Por um segundo, todos ficamos congelados nos encarando.
— Val, por que você voltou para casa? Não era pra estar na escola? — Era nítido o nervosismo na voz de Ícaro, ser apresentada para a filha dele não estava nos planos, ainda que frequentasse a casa escondido.
Mas a menina sequer ouviu. Apenas me observou atentamente. Era parecida com o pai, alta e com aquele cabelão igual ao dele. Então abriu um sorriso genuíno, como se tivesse descoberto algo incrível.
— Então você é o motivo do meu pai sorrir tanto? — Ícaro engasgou. — Eu sabia que tinha alguma coisa acontecendo. Prazer, meu nome é Valentina, mas pode me chamar de Val. Você é linda…
— Obrigada… eu preciso ir, já estou atrasada. — Peguei minha bolsa e praticamente fugi porta afora.
Que loucura era aquela na qual eu tinha me metido? Isso não podia ir adiante. Fui direto para a empresa, pouco me importando que ainda usava as roupas do dia anterior, minha mãe sabia que eu dormia fora de casa e por enquanto fazia vista grossa.
Mas não conseguia me concentrar. Lembrava do jantar, do fato de que eu ficaria noiva, ignorava todas as ligações do Oliver, que reclamava com meu pai… e, no fim, lembrava do cheiro de Ícaro, de dormir abraçada com ele, da filha dizendo que ele andava sorrindo mais por minha causa. Não entendia como ele ainda me aceitava se toda vez eu fugia, era evasiva… para depois aparecer de novo na casa dele, à noite.
Ícaro me ligou depois do almoço; eu sempre atendia ou respondia suas mensagens.
— Tudo bem? — A voz dele fazia meu corpo inteiro aquecer.
— Tudo, só muito trabalho.
— Eu não sabia que minha filha voltaria. Sei que você não está preparada ainda.
Eu não estaria preparada nunca. Essa era a questão.
— Ela é a sua cara.
Ele riu, o som atingindo em cheio meu coração.
— Aconteceu uma emergência. Seu pai está chamando na sala dele.
Larguei tudo e subi para a sala da presidência. Não me surpreendi ao ver César e Augusto ali, ambos claramente nervosos.
— Diana, preciso que você monte uma ação de reparação de imagem da empresa, quero uma alguma coisa competente com resutado imediato — O tom de voz do meu pai era rispido.
— O que aconteceu?
— Alguns de nossos clientes tiveram dados vazados. Nada muito grave, por enquanto, mas se a situação piorar, pode manchar o nome da empresa de forma permanente.
Olhei para Augusto, responsável pela área de tecnologia. Meu irmão parecia à beira de perder o controle. Eu o conhecia o suficiente para saber o quanto estava se controlando.
— Eu vou resolver… — ele disse.
— Nós vamos adotar medidas para que isso não aconteça novamente. Por enquanto você ainda tem seu emprego, porque eu não posso fazer essa demissão imediatamente. Eu avisei para você resolver a situação, mas essa falha na segurança é algo grave, achei que você fosse o mais inteligente, que esse casamento fosse uma prova de amadurecimento, mas pelo visto continua um moleque ainda por cima incopetente. Não vou mais ser enganado, temos uma reputação a zelar, quero você fora.
Meu pai falou sério, sem margem para dúvida, encarei meus irmãos, César nervoso, mas de uma forma cansada, Augusto se controlando para não dar um chute na mesa e eu me sentia uma criança escondendo que aprontou alguma coisa.
Esperando a qualquer momento que meu pai falasse que descobriu tudo, o que ele faria comigo? O que ele faria com Icaro? Ele teria coragem de fazer alguma coisa se percebesse que eu poderia desistir de tudo?
Não conseguia mais ouvir o que falavam, pouco me importava, sai da sala, precisava respirar, saber o que fazer, decidir alguma coisa, qualquer coisa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...