"Isabella"
Augusto estava mais sério do que o normal. Claro que um jantar com a família, para celebrar o noivado da irmã — que se casaria obrigada com um cara de quem ele não gostava e com quem já tinha brigado — não era motivo de alegria. Mas havia algo além disso, algo que Augusto não quis explicar e também não insisti.
Eu já estava com a mente aberta e preparada para tudo, inclusive discussões e brigas. E, para piorar, levaria Karen, que desde que soube do jantar queria participar e insistiu de forma nada sutil. Ia ser uma noite e tanto.
— Eu não vou levar o Heitor. Ele precisa dormir cedo, e quero aproveitar o momento sem me preocupar — Karen disse ao sair do quarto, arrumada com um vestido vermelho decotado. Não parecia pronta para um jantar, e sim para uma caçada.
— É só um jantar — comentei quando vi o vestido.
— Eu sei, mas gosto de me arrumar. Além do mais, o César é solteiro, não é? — Karen me deu uma piscadinha.
— Não sei — respondi, mesmo sabendo que era. Camila e César se gostavam e não ficavam juntos por motivos que eu não entendia completamente. A possibilidade de Karen querer fisgar César era estranha, como se ela traísse a Camila e com certeza nossa prima interpretaria da mesma forma.
Karen tinha contratado uma babá para ficar com o filho. Achava que ele era muito novinho para ficar em casa sozinho com uma babá, mas eu era apenas tia e não tinha direito de me intrometer e talvez ela precisasse de um momento só dela.
Quando chegamos, percebi que seria um jantar maior do que eu imaginava. Tinha mais gente do que no aniversário da avó de Augusto, porque agora também estava a família de Oliver. Meu objetivo era ficar longe de tudo, fazendo apenas o meu papel básico de esposa.
Augusto foi falar com o irmão, e eu fui falar com a avó, levando Karen junto.
— Olá, minha querida, que saudade! Você precisa aparecer mais vezes — disse a senhora ao me ver.
— Eu sei, prometo que vou vir mais agora que as coisas estão mais tranquilas.
— Sim, fiquei sabendo do que aconteceu. Sinto muito por tudo. Essa é sua irmã?
— Sim, essa é a Karen. Karen, essa é a avó do Augusto.
— Muito obrigada por me receber, sua casa é linda. Nunca tinha visto um lugar como esse, parabéns — disse Karen.
Ela pegou uma bebida e ficou num canto observando tudo, analisando. Eu não era tão idiota quanto as pessoas pensavam. Mesmo torcendo para Karen mudar de vida, sabia que ela gostava de lugares assim. Queria ser como as pessoas daquela casa. E, mais uma vez, me peguei voltando ao passado, pensando em como ela foi se envolver com Carlos, casar com ele…
— O que a senhora acha do noivado de Diana e Oliver? — perguntei, afastando os pensamentos. Eu sabia que ninguém na família gostava de Oliver, exceto meus sogros.
— Uma verdadeira tragédia. Meu filho é teimoso. Já avisei que esse casamento não vai acontecer, Diana pode até parecer que aceitou, vai receber o anel agora… mas ela é tão teimosa quanto o pai. Tenho certeza de que vai achar um jeito de sair dessa.
Estávamos em uma mesa afastada, mas ainda assim não tinha certeza se alguém ouviu nossa conversa e duvidava que a senhora se importaria caso tivessem ouvido.
— E você e Augusto? Como estão?
— Bem. — Eu não tinha como elaborar mais a complexidade que era meu relacionamento com Augusto.
— Ótimo. Já estou ficando muito velha. Gostaria de ser bisavó antes de morrer.
Fiquei um momento sem resposta, sentindo retumbar no peito aquele velho sentimento de cobrança por um filho que nunca vinha. Uma decepção para as pessoas… e para mim mesma.
Mudei de assunto, e conversamos até o jantar ser servido o que aconteceu sem grandes incidentes. Pelo que sabia, Oliver — que não desgrudava do próprio pai — faria o pedido depois do jantar. Diana se mantinha afastada, ouvindo as conversas com um olhar vazio e uma taça na mão. Eu poderia até sentir pena, se ela não fosse tão insuportável e arrogante.
— Vai chegar o grande momento — Augusto disse depois do jantar, aproximando-se junto com César.
— Pessoal, quero dar uma palavrinha — começou Oliver, pedindo silêncio. — Todos estão reunidos aqui, as duas famílias, para um momento especial: a minha união com a Di, essa mulher linda e maravilhosa que entrou na minha vida.
Diana olhava para Oliver com nojo e quando ele se ajoelhou e abriu a caixinha com o anel, ela continuou olhando, sem falar nada.
Aproximei-me da porta. O som era ritmado. Eu conhecia aquele cômodo: não era um quarto, e sim um pequeno escritório. A porta não estava totalmente fechada, apenas encostada. Era por isso que o som vazava.
O ideal era sair dali. Poderia ser qualquer casal. Mas eu tinha certeza de que era Karen — e precisava confirmar.
Respirei fundo e olhei pela brecha, mas não dava para ver nada; estavam do outro lado. Empurrei um pouco mais a porta.
O casal transava sem nenhum pudor, iluminados por uma luminária. O homem estava de costas para a porta, todo vestido. A mulher, com as pernas em volta dele, sendo penetrada de pé, contra a parede.
Não havia dúvidas de que era Karen, o vestido vermelho, o rosto com uma expressão de prazer, gemendo com uma puta. Não consegui reconhecer de imediato quem era o homem. Não queria fazer escândalo e saí quase correndo, descendo para onde todos estavam reunidos. Meu coração acelerado. Eu tinha trazido minha irmã ali e ela fazia uma coisa assim.
Procurei Augusto, perdida, sem saber que providência tomar. Cinco minutos depois, Karen apareceu com a cara de quem não tinha feito nada, o vestido levemente amassado.
— Me perdi de você. Fui ao banheiro e acabei conversando com umas mulheres. Falando de filhos, você sabe como é…
Eu não sabia. Estava longe de saber. Olhei para Karen, que teve a ousadia de fazer esse comentário e mentir na minha cara.
Então vi o homem com quem ela estava: reconheci pela roupa. Ele usava um terno cinza claro, todo amassado. Olhou de lado para Karen, assim como ela olhou para ele. Ele se juntou a uma mulher, deu um beijo no rosto dela e, para meu desespero, duas crianças correram até ele chamando-o de pai.
— Isa, está tudo bem? — Augusto apareceu ao meu lado. Eu devia estar parecendo uma louca fitando o vazio.
— Tudo… claro. Vamos embora daqui.
Despedi-me da avó de Augusto, prometendo voltar outro dia, e fomos embora. Karen olhava pela janela, como se não estivesse pensando em nada, enquanto eu sentia a raiva e a traiçao me corroer. Ao sairmos do carro, não me passou despercebido o sorriso que ela abriu para Augusto, que manteve sua expressão fechada.
Minha cabeça rodava. Eu tinha levado Karen para aquela festa, tinha colocado ela ali dentro… e agora alguma família corria o risco de ser destruída por minha causa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...