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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 96

"Isabella"

Augusto estava mais sério do que o normal. Claro que um jantar com a família, para celebrar o noivado da irmã — que se casaria obrigada com um cara de quem ele não gostava e com quem já tinha brigado — não era motivo de alegria. Mas havia algo além disso, algo que Augusto não quis explicar e também não insisti.

Eu já estava com a mente aberta e preparada para tudo, inclusive discussões e brigas. E, para piorar, levaria Karen, que desde que soube do jantar queria participar e insistiu de forma nada sutil. Ia ser uma noite e tanto.

— Eu não vou levar o Heitor. Ele precisa dormir cedo, e quero aproveitar o momento sem me preocupar — Karen disse ao sair do quarto, arrumada com um vestido vermelho decotado. Não parecia pronta para um jantar, e sim para uma caçada.

— É só um jantar — comentei quando vi o vestido.

— Eu sei, mas gosto de me arrumar. Além do mais, o César é solteiro, não é? — Karen me deu uma piscadinha.

— Não sei — respondi, mesmo sabendo que era. Camila e César se gostavam e não ficavam juntos por motivos que eu não entendia completamente. A possibilidade de Karen querer fisgar César era estranha, como se ela traísse a Camila e com certeza nossa prima interpretaria da mesma forma.

Karen tinha contratado uma babá para ficar com o filho. Achava que ele era muito novinho para ficar em casa sozinho com uma babá, mas eu era apenas tia e não tinha direito de me intrometer e talvez ela precisasse de um momento só dela.

Quando chegamos, percebi que seria um jantar maior do que eu imaginava. Tinha mais gente do que no aniversário da avó de Augusto, porque agora também estava a família de Oliver. Meu objetivo era ficar longe de tudo, fazendo apenas o meu papel básico de esposa.

Augusto foi falar com o irmão, e eu fui falar com a avó, levando Karen junto.

— Olá, minha querida, que saudade! Você precisa aparecer mais vezes — disse a senhora ao me ver.

— Eu sei, prometo que vou vir mais agora que as coisas estão mais tranquilas.

— Sim, fiquei sabendo do que aconteceu. Sinto muito por tudo. Essa é sua irmã?

— Sim, essa é a Karen. Karen, essa é a avó do Augusto.

— Muito obrigada por me receber, sua casa é linda. Nunca tinha visto um lugar como esse, parabéns — disse Karen.

Ela pegou uma bebida e ficou num canto observando tudo, analisando. Eu não era tão idiota quanto as pessoas pensavam. Mesmo torcendo para Karen mudar de vida, sabia que ela gostava de lugares assim. Queria ser como as pessoas daquela casa. E, mais uma vez, me peguei voltando ao passado, pensando em como ela foi se envolver com Carlos, casar com ele…

— O que a senhora acha do noivado de Diana e Oliver? — perguntei, afastando os pensamentos. Eu sabia que ninguém na família gostava de Oliver, exceto meus sogros.

— Uma verdadeira tragédia. Meu filho é teimoso. Já avisei que esse casamento não vai acontecer, Diana pode até parecer que aceitou, vai receber o anel agora… mas ela é tão teimosa quanto o pai. Tenho certeza de que vai achar um jeito de sair dessa.

Estávamos em uma mesa afastada, mas ainda assim não tinha certeza se alguém ouviu nossa conversa e duvidava que a senhora se importaria caso tivessem ouvido.

— E você e Augusto? Como estão?

— Bem. — Eu não tinha como elaborar mais a complexidade que era meu relacionamento com Augusto.

— Ótimo. Já estou ficando muito velha. Gostaria de ser bisavó antes de morrer.

Fiquei um momento sem resposta, sentindo retumbar no peito aquele velho sentimento de cobrança por um filho que nunca vinha. Uma decepção para as pessoas… e para mim mesma.

Mudei de assunto, e conversamos até o jantar ser servido o que aconteceu sem grandes incidentes. Pelo que sabia, Oliver — que não desgrudava do próprio pai — faria o pedido depois do jantar. Diana se mantinha afastada, ouvindo as conversas com um olhar vazio e uma taça na mão. Eu poderia até sentir pena, se ela não fosse tão insuportável e arrogante.

— Vai chegar o grande momento — Augusto disse depois do jantar, aproximando-se junto com César.

— Pessoal, quero dar uma palavrinha — começou Oliver, pedindo silêncio. — Todos estão reunidos aqui, as duas famílias, para um momento especial: a minha união com a Di, essa mulher linda e maravilhosa que entrou na minha vida.

Diana olhava para Oliver com nojo e quando ele se ajoelhou e abriu a caixinha com o anel, ela continuou olhando, sem falar nada.

Capítulo 96. Na surdina 1

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