Mário não respondeu à pergunta.
Era uma indagação à qual ele jamais oferecia resposta.
Tainá tinha plena consciência de que ele ficaria em silêncio, mas já havia decifrado há tempos a atitude dele em relação a Natália: embora não ultrapassasse nenhuma linha concreta, a sua mera presença e suas ações já cruzavam todas as fronteiras possíveis.
Franzindo o cenho, Tainá prosseguiu:
— Eu também não quero. Mas...
Tainá virou a cabeça para fitar a janela do carro:
— Mas se sentir que o momento chegou, pode me avisar quando quiser.
Ao ouvir aquilo, Mário respondeu apenas com uma palavra:
— Certo.
Foi curto, firme e definitivo.
Apesar de ser apenas uma palavra, para Tainá, foi como se dez mil flechas lhe perfurassem o coração.
Ela inspirou profundamente, fechou os olhos e recostou a cabeça de lado, porém não conseguiu conter a torrente incontrolável de lágrimas que rolava.
Mas era impossível que Mário percebesse, afinal... o seu olhar sequer pairara sobre ela.
Não tardaram a chegar ao velório da família Fontes. Mário estacionou o carro, e Tainá fingiu revirar o fundo da bolsa em busca de algo.
Mário desceu do veículo primeiro.
Tainá enxugou rapidamente as lágrimas antes de seguir o exemplo.
Naquele momento, no recinto do velório, todos se acomodavam para o jantar.
O banquete ainda não havia sido servido, mas os convidados já ocupavam os assentos.
Assim que os dois terminaram de prestar suas homenagens a Fábio Fontes, avistaram Fernanda Flora lhes acenando:
— Por aqui.
Sentados à mesma mesa encontravam-se Melissa, Marcelo Mendes, Sérgio, acompanhados de alguns amigos próximos e outros não tão familiares.
Talvez tivessem sido movidos pelo desejo de bajular ou apenas estivessem ali para acompanhar as fofocas de perto.
Mário e Tainá depararam-se com Sérgio e Melissa mergulhados numa conversa animadíssima.
Era impossível saber sobre o que Sérgio discursava, mas ele não parava de falar um segundo.
Melissa prestava uma atenção extremada, com uma expressão terna e um olhar banhado em profunda reverência e brilho reluzente.
Ela sequer piscava enquanto fitava Sérgio.
De vez em quando, exibia um sorriso e balançava a cabeça em concordância, transbordando uma aura de plena compreensão e simpatia.
Instantaneamente, o clima em volta de Mário tornou-se denso e carregado.
O barril de pólvora no íntimo de Tainá também entrou em combustão de súbito.

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