A tristeza na voz da amiga contagiou Natália, que assentiu, segurando o choro:
— Fiquei sabendo agora. O Sérgio me contou.
Tainá estava arrasada:
— Como isso foi acontecer? Porra, como? Um cara tão bom... e de repente... ele simplesmente se foi?
Natália também começou a chorar, balançando a cabeça:
— Eu... não sei.
Tainá falava em meio aos prantos:
— Diz para mim, ele já era um comandante, por que pediu para ir para a Missão de Paz? Não sabia que era perigoso? Queria bancar o herói?
Natália arregalou os olhos. A palavra "herói" apertou seu peito de forma sufocante.
Fábio queria ser herói?
Não podia ser...
Teria sido por causa dela??
Nesse momento, uma voz masculina soou do outro lado, de tom pesado:
— O que mais o Sérgio disse?
Natália ficou em silêncio por alguns segundos, depois suspirou fundo:
— A Melissa está grávida. Ele vai trazê-la para morar conosco e eu terei que cuidar dela.
A voz masculina não disse nada.
Tainá gritou primeiro:
— Como é que é? Cuidar da Melissa, o que isso significa? Ele perdeu o juízo? As famílias Mendes e Ferreira não têm mais ninguém? Ou será que todos os amigos dele já morreram? Que ideia absurda! Era melhor ele dizer logo que quer o divórcio para casar com a Melissa! Aquele canalha!
As palavras de Tainá fizeram o rosto de Natália empalidecer de frio.
Ela ficou calada.
O outro lado da linha também mergulhou no silêncio.
De repente, o som de um isqueiro quebrou a quietude, seguido de um estalo brusco, como se o objeto tivesse sido jogado na mesa com irritação.
A voz masculina soou gelada:
— E você vai deixar ele te humilhar assim?
Natália franziu a testa.
O homem continuou:
— Ele se acostumou a te tratar como lixo, ou foi você quem se acostumou a aceitar isso?
— Eu... — Natália tentou retrucar.
— Patética. — a voz disparou.
Natália calou-se na hora.
Houve dois segundos de silêncio.
A voz masculina falou de novo:
— O que foi? A famosa rosa espinhosa da elite da Cidade A agora teve todos os seus espinhos arrancados? Natália, você está de joelhos há tanto tempo que esqueceu como levantar, ou será que está gostando da posição?
Aquelas palavras finalmente fizeram a raiva reprimida de Natália transbordar, e ela não conseguiu se conter:
— Vá para o inferno, Mário Junqueira!!
Natália murmurou:
— Sim, eu sei.
Tainá desligou o telefone e encarou Mário Junqueira.
Esse homem, agora conhecido como o "Rei do Submundo" da Cidade A, era a figura mais poderosa e bem-sucedida do círculo de amigos de infância ricos.
Tainá puxou o ar e sorriu:
— Será que não está na hora de nós dois nos prepararmos para terminar?
Mário levantou os olhos para encará-la.
Aqueles olhos profundos e frios pareciam levemente avermelhados, talvez por causa da fumaça do cigarro.
Ele perguntou com indiferença:
— Já se cansou de mim?
Tainá deu uma risada, mas não havia alegria em seu olhar:
— Você acha que sabe esconder bem os seus sentimentos. Mas isso não é algo que todo mundo já sabe? Você é que teima em não admitir. O Sérgio já até levou a Melissa para casa, o que prova que nenhum dos dois conseguiu superar o passado e que vão acabar reacendendo aquela chama. Portanto...
Ela fez uma pausa, olhando fixamente para Mário:
— Olha aí, a sua grande chance chegou.
Ao ouvir aquilo, Mário se levantou.
Tinha quase um metro e noventa, ombros largos e cintura estreita.
O rosto, acima de tudo, possuía uma beleza tão marcante que beirava a intimidação.
Fazia com que ninguém ousasse encará-lo por mais de alguns segundos...

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