Quando estavam discutindo na porta, se Mário estivesse determinado a puxar Natália para o carro deles à força, ela com certeza teria ido.
Afinal de contas, entre amigos de infância, por mais que houvesse brigas monumentais, eles sempre deixariam um pouco de dignidade uns para os outros.
Mário abriu a janela, fumando, e disse casualmente:
— Eles são casados.
Tainá ergueu as sobrancelhas:
— Covarde.
Mário claramente ouviu isso, mas virou-se para Tainá:
— O que disse?
Sentindo a aura opressora que emanava dele e reparando naquele relógio de colecionador Royal Oak da Audemars Piguet cravejado de diamantes no seu pulso, Tainá recuou em um segundo, erguendo as mãos:
— Sr. Mário, eu errei. Não quero ser jogada no mar para alimentar os peixes.
Mário zombou:
— O que te ensinaram nas aulas de geografia? A Cidade A não tem mar.
Tainá fez um bico. Se formos falar do Mário, ele era mesmo um cão.
Estava claro que ele tinha dado para trás, mas não deixava ninguém chamá-lo de covarde. Ele dominava perfeitamente a arte de misturar misericórdia com ameaça.
Era uma pessoa que despertava amor e medo ao mesmo tempo.
Por algum motivo, Tainá se perguntou: se no lugar dela estivesse Natália, Mário teria rebatido?
Teria admitido que era um covarde?
Talvez sim?
Tainá não sabia por que estava pensando naquilo; achou engraçado, mas ao mesmo tempo lhe deu vontade de chorar.
Ela também estava muito ociosa para ficar pensando em bobagens.
*
Natália ficou em silêncio o caminho todo.
Seu mutismo fez Sérgio achar que ela finalmente havia se acalmado e ficado satisfeita.
Então era isso... o que Natália queria.
A intimidade iniciada por ele.
Fazendo as contas, em dois anos de casamento, Natália sempre fora a parte ativa.
Até nas poucas vezes em que dormiam juntos, mesmo que ele desse o primeiro passo de abraçá-la, era Natália quem tomava a iniciativa de beijá-lo.

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