Após terminar de falar, Dona Nívea não esperou que Mário Junqueira "defendesse" Natália mais uma vez. Com um olhar transbordando fúria voltado para Natália, ela mais uma vez liberou toda a sua indignação e tristeza. Com o rosto banhado em lágrimas, ela a questionou:
— Natália, eu sempre a tratei muito bem! Eu sabia que o Fábio era perdidamente apaixonado por você. Eu também gostava de você, tratava você bem. Mesmo não tendo se casado com o meu filho, eu continuei sendo boa para você! No meu coração, eu até a considerava minha nora, sabia que você era a pessoa que meu filho mais amava... Mas eu jamais, em hipótese alguma, imaginei que seria você... quem empurraria o meu filho para o abismo com as próprias mãos, sem chance de volta!
Apontando para Natália, as palavras de Dona Nívea estavam cheias de acusações:
— Por que, Natália? Por que você foi dizer uma bobagem daquelas? Por que... por que você mandou o meu filho direto para a morte com as próprias mãos? Ele a amava tanto, nunca lhe fez mal nenhum! Por que você não o deixou em paz? Me diga, Natália, por que? Por que, afinal?!
As acusações de Dona Nívea tornaram a atmosfera do local extremamente sufocante.
As lágrimas de Natália caíam silenciosamente; não havia como se explicar. Para ela, aquilo era, sem dúvida, um desastre que veio do nada.
Ela mordeu o lábio em agonia, balançando a cabeça freneticamente, enquanto suportava as pontadas de dor no baixo ventre; seu rosto estava tão branco quanto uma folha de papel.
Ela abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Queria se defender, mas... também carregava culpa em seu coração. Se Fábio Fontes realmente tivesse ido para a Missão de Paz por causa daquelas palavras dela, como ela suportaria isso? Como viveria com essa culpa?
Mesmo que Dona Nívea não a culpasse, a própria culpa a destruiria.
Por isso, queria se defender, mas ao mesmo tempo desejava "confessar a culpa".
Porém, não sabia se devia "explicar" ou "admitir".
Essa atitude dela, aos olhos de Dona Nívea... parecia mais uma admissão silenciosa, um sinal de quem tinha a consciência pesada.
As emoções de Dona Nívea inflamaram-se novamente. Consumida pela dor, ela se atirou contra Natália, gritando em total desespero:
— Devolva o meu filho!
E Natália... continuou sem se desviar.
Ela sentia tanta culpa e remorso que, se ser vista como a grande culpada pudesse dar a Dona Nívea um lugar para despejar toda aquela dor...
Então, ela estava disposta... a ser essa "culpada inocente".
Ou talvez, ela realmente tivesse culpa.
Apesar de Natália não ter se desviado, Sérgio Farias puxou-a de repente, fazendo-a recuar dois passos.
Ao mesmo tempo, ele a envolveu em um abraço, usando as próprias costas como escudo contra a investida emocional de Dona Nívea.

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