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Cinzas de um Amor Que Você Matou romance Capítulo 84

Mas esse rosário...

Fazia muito tempo que ele não o usava.

Havia deixado de usá-lo um ano atrás.

Contudo, desde a noite anterior, e ao vê-lo novamente hoje, percebeu que ele o havia resgatado do compartimento do console central e o colocara no pulso.

Tainá respirou fundo, sentindo uma pontada de dor inexplicável no peito.

Ela... imaginava qual era a sua intenção.

Devia ser por causa do que Marcelo e Letícia haviam dito na noite passada...

Ele estava usando o rosário para se forçar a manter o autocontrole?

Aquele rosário carregava uma história.

Aconteceu três dias antes do casamento de Natália. Seguindo o costume, ela foi à igreja rezar por um matrimônio próspero e cheio de felicidade.

O ideal era ter o maior número possível de amigos presentes, pois quanto mais animados e juntos estivessem, mais intensa e afortunada seria sua vida de casada.

Então, claro, todos a acompanharam.

Fábio e Melissa estavam lá, assim como Sérgio, que era o noivo.

Embora o clima estivesse alegre e festivo, sem que ninguém causasse qualquer problema, todos se mantiveram em seu lugar.

Mas no fundo, sob as aparências tranquilas daquele grupo, deviam borbulhar emoções turbulentas, num verdadeiro campo de batalha de sentimentos ocultos.

Foi exatamente nesse dia que Mário comprou aquele rosário, desembolsando a quantia de 2,5 milhões.

A compra pegou a todos de surpresa, já que ele nunca fora um homem de se ater a essas práticas. Como de repente ele se interessaria por um rosário?

E, ainda por cima, uma peça longe de ser barata.

O mais inusitado era o valor peculiar: duzentos e cinquenta...

Naquela época, Mário abriu um sorriso e justificou dizendo que era para atrair fortuna.

Todo mundo achou o argumento sensato.

Porém, quanto à esquisitice daquele valor, ninguém teve a coragem de fazer brincadeiras a respeito; soaria desrespeitoso demais.

Mais tarde, quando Tainá o procurou para firmarem o acordo de falso namoro, ela finalmente desvendou o significado do rosário.

Então, um ano após tê-lo usado, ele o retirou do pulso, guardando-o no console, relegando-o ao esquecimento e à poeira.

O palpite de Tainá era de que, enfim, ele tinha aceitado a derrota.

Mas agora... o rosário voltara a enfeitar seu pulso.

Tainá sabia perfeitamente o que aquilo significava.

Desviando os olhos, virou o rosto para a janela, contemplando a paisagem familiar enquanto permanecia calada.

Naquela cidade em que nasceu e cresceu, onde conhecia cada canto... ela falhara em encontrar um amor verdadeiro para a vida toda.

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