ISABELLA
—Não é necessário me acompanhar até a enfermaria, eu posso ir sozinha...
—Sinto muito, senhorita Olivan, mas sua majestade me disse que eu tinha que me certificar de levá-la —respondeu o homem que tinha ficado me esperando no corredor da pista de motocross.
Assenti, sem querer deixar as coisas ainda mais difíceis pra ele, e agradeci quando ele se afastou do carro pra eu poder descer.
Puxei a barra da saia, tentando não mostrar o tesouro misterioso escondido ali embaixo... quer dizer, eu estava sem calcinha e com a porra da boceta toda de fora.
Um certo príncipe não estava atormentado o suficiente pra esquecer de levar um souvenir.
Eu o segui em silêncio, caminhando do estacionamento até o prédio do setor de saúde.
Minha cabeça ainda girava, o estômago também, e meu corpo doía como se um rolo compressor tivesse passado por cima de mim.
“E olha que a gente nem transou”
“Thera, não é hora de uma das suas piadinhas, as coisas que aconteceram…”
Eu deixei o assunto ali, como um tema bem pesado.
Ela ficou em silêncio, o que era bem raro; a gente ainda não processava direito o que tinha dado tão errado.
—Aqui está bom, pode ficar tranquilo, eu entro. Obrigada por me trazer —falei parada diante das enormes portas de vidro.
—Sem problema. —ele disse com um sorriso meio forçado, dava pra ver que estava um pouco desconfortável.
“É por causa de todas as feromonas possessivas de lycan que você está exalando” Thera me iluminou.
Vi quando ele virou de costas de um jeito rígido e minha língua escorregou antes de eu pensar.
—O príncipe estava bem? Digo... você viu pra onde ele foi? —minha voz foi diminuindo de intensidade.
Ele se virou pra me responder.
—Ele só me deu a ordem pela mente, eu estava no escritório da administração, não sei pra onde ele foi, provavelmente voltou pras corridas —ele disse gentilmente.
—Ah... obrigada —foi a última coisa que respondi antes de vê-lo se afastar em direção ao Mercedes.
Fiquei meio perdida, embaixo do foco de luz na entrada do prédio, quando a enfermeira de plantão me viu e me chamou pra dentro.
Uma senhora de cabelo cacheado, ruivo, e de péssimo humor.
Eu quase chorei com os curativos que ela fez nos meus quadris e no pescoço.
Principalmente o do pescoço era preocupante, e acho que eu não me desangrei por causa das lambidas e da saliva do Kaden.
O ataque dessa vez foi sério. Do susto, todo o álcool drenou do meu sangue.
A mulher não disse nada que me deixasse envergonhada, mas o olhar acusador dela falava mais do que mil palavras.
—Descansa aqui e tenta não bancar a esperta e fugir, eu vou ficar de olho em você —bufou, indo pelo corredor e me deixando em uma das caminhas de observação.
—Essa juventude anda cada vez mais perdida —resmungou na saída antes de apagar a luz e fechar a porta da sala.
“Nem me fale, essa garota está perdidíssima” Thera tirou sarro mais um pouco de mim, sabendo que meu humor estava despencando.
Eu nem estava com ânimo pra responder.
Me deitei na cama com o pijama rosa que a enfermeira me deu, olhando pro teto.
Quem era Isolde?
Essa era a pergunta que vinha me atormentando esse tempo todo.
Eu estava embriagada pela excitação do momento.
Eu admitia que o Kaden me acendia como ninguém nunca tinha feito, mas na real... a gente não era compatível.
Não doeu tanto ele ter perdido o controle quanto o que ele me disse depois.
“Você não consegue controlar a minha violência”
Quase o mesmo que “Você não é boa o suficiente pra mim”.
Eu mordi o lábio com força e meus olhos ficaram vermelhos, feito uma idiota.
“Isa, não se tortura mais... ele... parecia fora de si, o lobo dele... acho que ele também sofre de algum transtorno, fica maníaco de repente” Thera falou séria, pra variar.
“E é óbvio que, como Serafina, eu não consigo curar ele” eu me autoacusei, me sentindo de novo uma inútil.
“Não é culpa sua…”
“Eu não posso usar sempre essa desculpa, Thera” respondi, fechando os olhos com tantos flashbacks passando pela minha mente.
O cheiro dele, as carícias, os gemidos no meu ouvido eram lembranças difíceis de apagar... eu nunca tinha vivido um momento tão sujo e excitante.

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