NARRADORA
A tontura atacou sua cabeça ao ver o mundo de cabeça para baixo e a dor atravessava suas têmporas com pontadas constantes.
“Thera?” chamou sua loba, mas ela não respondeu.
Isabella tentou uma e outra vez, sentindo ainda mais pânico ao perceber que algo bloqueava a comunicação com sua parte animal.
Ela tentou escutar os passos, a conversa, mas só se ouvia o estalar das folhas e os sussurros da noite.
De repente, tentou levantar um pouco a cabeça para ver por onde andavam, e o rosto mascarado de um de seus captores apareceu diante dela.
— Boo!
Isabella quase gritou de susto, mas se manteve em silêncio, com o coração batendo de forma errática.
— Acha que a gente não sabia que você já tinha acordado? — a voz sarcástica por trás da máscara a fez tremer um pouco.
Estar completamente desconectada de seus instintos não tinha graça nenhuma.
— O que vocês querem comigo? Pra onde… estão me levando? — Isabella tentava se equilibrar sem querer se apoiar muito nas costas do homem que a carregava.
— Você vai saber logo, gatinha, e aliás, bela atuação no festival… bem exótica — o homem respondeu com uma risadinha lasciva, abafada pela máscara.
Isabella percebeu que a estavam vigiando desde o início.
Também percebeu que aqueles caras usavam túnicas negras que cobriam a cabeça; que tipo de malucos eram aqueles.
— Ele já nos descobriu — ela se enrijeceu ao ouvir a voz do que a carregava.
— Para de mexer a boca e apressa essas pernas; estamos perto — acrescentou, bufando.
A caminhada ficou mais apressada, quase uma corrida, e por mais que Isabella lutasse para se soltar, não conseguiu.
Ela também não tinha nenhuma arma à mão para atacá-lo, e a bolsinha de feitiço brilhava por sua ausência.
Talvez, quando a colocaram de cabeça para baixo, ela tenha caído no chão.
— Para, é aqui! — ela ouviu a ordem e, antes de reagir, se viu sendo jogada bruscamente no chão.
— Amph! — ela mordeu a língua ao cair com força e chorou lágrimas fisiológicas de dor.
O sangue inundou sua boca, mas mesmo assim se obrigou a reagir, apesar da tontura e da vontade de vomitar que a atacavam.
Porém, um de seus captores a segurou com rudeza, obrigando-a a se levantar.
— Me solta! — Isabella pisoteou a bota dele, mas só conseguiu machucar ainda mais o próprio pé.
O homem usava um calçado bem duro.
— Nem pense em tentar nada ou eu atravesso as suas tripas — ela foi obrigada a ficar quieta ao sentir a ponta afiada de uma arma apontando para as suas costas.
O suor escorreu pela testa.
— E agora grita chamando o príncipe lycan — ele ordenou, apertando o braço dela a ponto de deixá-lo marcado, mas ela se manteve em silêncio, com os lábios tensos.
— Eu disse pra gritar, cadela!
O rugido veio junto com um tapa do outro homem na frente dela. O mesmo que a tinha elogiado pela dança.
O rosto de Isabella virou para o lado enquanto a marca da mão aparecia imediatamente em sua bochecha.
Um pouco de sangue escorreu de seus lábios, mas ela não gritou.

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