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Como Conquistar um Príncipe Lycan romance Capítulo 45

ISABELLA

Quase me arrastando pela grama, consegui chegar até a velha varanda de madeira e subir os degraus.

Com a roupa encharcada e tremendo, bati na porta, mas ninguém abriu.

— Oi? — chamei e fui mancando até a janela para olhar para o interior escuro.

Parecia uma cabana simples de descanso e, com certeza, estava ocupada, porque nada parecia descuidado ou sujo, nem mesmo o vidro da janela.

— Oi…

"Isa, acho que não tem ninguém, vamos ter que entrar sem pedir licença", minha loba me disse, preocupada e tensa.

— Sou amiga da… Mônica, por favor… — murmurei, sentindo que a temperatura aumentava, queimando meu corpo.

Era o típico que acontecia comigo quando eu forçava as restrições e hoje eu tinha feito muito mais do que isso.

Um rangido me fez olhar de novo para a porta, que se abriu numa fresta escura, como se alguém vigiasse lá de dentro.

"Não sinto o cheiro de ninguém", Thera me disse, estranhando.

Toda essa situação era de doido, mas eu não podia esperar mais.

Empurrei a porta e entrei, assim que coloquei o pé na salinha e vi o contorno de uma poltrona, desabei desmaiada em cima dela, sem saber mais de mim por um tempo indefinido.

Quando acordei, já tinha recuperado um pouco das forças, mas as coisas ao meu redor haviam mudado.

Tocando meu rosto, já menos inchado, consegui me sentar na poltrona macia de xadrez azul.

O ambiente estava quentinho e uma luz persistente latejava nos meus olhos confusos.

À minha frente, a lareira tinha sido acesa e um caldeirão fervia pendurado dentro dela, soltando fumaça.

"Alguém salvou a gente?", perguntei a Thera, examinando ao redor.

Na verdade, a cabana tinha só um cômodo, mas era muito aconchegante.

Desse lado havia uma salinha com uma mesinha de jantar num canto.

Mais adiante tinham prateleiras de despensa com o que parecia um fogão a lenha, bules e louça rústica.

Uma caminha ficava encostada na outra parede, que tinha uma janela grande.

A manta macia que a cobria convidava a dormir e eu morria de vontade de fechar os olhos de novo, mas não podia.

"Você não vai acreditar, Isa, mas ninguém apareceu aqui. Quando você desmaiou, tudo começou a funcionar sozinho, o fogo se acendeu e o caldeirão se encheu de água que começou a ferver… foi… mágico."

Fiquei em choque por um momento, será que o feitiço tinha me trazido para uma espécie de refúgio mágico?

Era o que parecia e, por um segundo, me senti muito grata à Mônica.

Ela me disse que isso me levaria para onde eu pedisse, que eu tinha que me concentrar com força e, pelo visto, no meu desespero eu só pedi para ficar a salvo.

"Isa, aquilo ali também apareceu do nada."

Thera me apontou um pequeno nécessaire em cima da mesinha.

Me aproximei devagar para olhar dentro e suspirei de alívio ao ver que eram coisas de primeiros socorros.

— Obrigada — falei para o nada, para o ar, para o espírito da casa, sei lá… mas é óbvio que ela gostou, porque a cama tremeu, chamando minha atenção.

Quando olhei para lá, havia algo que não estava ali antes.

Caminhei até lá e descobri o que parecia um conjunto confortável de pijama listrado, e eu quase chorei de felicidade.

— Muito obrigada — repeti, e senti a vibração da casa inteira.

Definitivamente, era essa cabana que estava dando refúgio pra gente.

Meus olhos foram até a janela enorme ao lado da cama, que dava para a floresta em plena tempestade.

Lá fora o vendaval rugia, mas aqui dentro estava bem quentinho.

Mesmo assim, eu mal tive tempo de me ajeitar quando os clarões de vários relâmpagos caíram e revelaram uma sombra bestial saindo da borda da floresta.

Dei um passo para trás, horrorizada.

As lembranças de Kaden em modo assassino ainda me perseguiam.

Ele ficou parado debaixo da chuva e eu sabia que ele tinha me encontrado, meu corpo inteiro voltou a tremer.

"Isa… parece que ele venceu o outro lycan e seguiu o seu rastro. Mas agora não o sinto tão frenético."

Meu coração afundou só de pensar que ele tinha matado o próprio amigo, quando voltasse a si…

— Não, não posso deixá-lo assim…

Tomei a decisão mais louca da minha vida e caminhei até a porta, saindo para a varanda.

Na mesma hora, o vento me açoitou e eu tive que cruzar os braços para me proteger.

Mesmo assim, fiquei parada nos degraus e ele ficou apenas me olhando à distância.

"Aurelius?" tentei alcançar a mente dele pelo vínculo universal dos lobos.

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