ISABELLA
“Ufa, acho que está pronto”
Sequei o suor da testa, vendo o meu bom trabalho como enfermeira.
Pelo menos as feridas do príncipe estavam limpas e muitas fechando a olhos vistos.
Olhei o rosto bonito dele, com a testa franzida, e afastei o cabelo platinado da testa.
Ele ainda estava quente e eu sei que era um mecanismo pra se curar mais rápido.
“É incrível o quanto ele é poderoso, apesar de reprimir parte do poder” Thera estava quase devorando ele com os olhos, e não exatamente com pensamentos muito puros.
“Você pode parar de ficar olhando o pacote do príncipe” revirei os olhos, me inclinando pra torcer o pano na água ensanguentada.
Nem sei quantas vezes eu tinha trocado.
“Ah, tá, como se você não tivesse apalpado também. Eu só estava preocupada que aquela obra de arte tivesse estragado”
“O dono da obra de arte quase me transformou em bife e você, perdida na Fantasilândia” bufei, me levantando pra cobrir o enorme corpo do Kaden com uma manta.
Eu não conseguia movê-lo do sofá, então ele ficaria ali até recuperar a consciência.
“Eu já te disse que tinha um feitiço poderoso rodeando aquele lugar, eu não conseguia te contatar” suspirei, escutando a Thera.
Peguei a pequena bacia e caminhei devagar até o banheiro.
Empurrei a porta e entrei no cômodo rústico, com todos os móveis de madeira maciça.
Não me espantou ver a fumaça saindo da banheira lá no fundo, com a água quente pronta pra um mergulho.
Um sorriso de gratidão apareceu no meu rosto exausto.
Eu também não estava lá essas coisas e confesso que eu até tinha medo de olhar minhas costas.
A dor era tão intensa que a área inteira já tinha ficado dormente.
Fechei a porta atrás de mim e joguei a água no vaso sanitário.
Era hora de me atender.
“Tudo isso foi estranho demais. Era óbvio que me usaram de isca pra atrair o Kaden” continuei falando com a minha loba, enquanto saía pra buscar a roupa de pijama e voltava a entrar.
O calor fumegante enchia o ar com uma névoa fina que me envolvia.
“Fizeram o truque dos vampiros, mas também tinha magia, só que eles sabiam que eu era uma Serafina com problemas… sei lá, tem pistas demais espalhadas”

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