— Tem certeza de que é uma boa ideia fazer uma surpresa, Liz? — minha melhor amiga pergunta, pela quarta vez só nessa ligação. — Sei lá… surpresas nem sempre acabam bem. E, sinceramente? Não confio nesse seu namorado.
— Você implica com o Marco desde que o conheceu, Giulia. Admita, você o odeia porque ele é sério demais, diferente de você.
— E você devia desconfiar justamente por isso.
— Você disse que estava feliz por mim — sussurro, estacionando em frente à empresa.
— E estou, mas… só tome cuidado, ok? Gosto de ver esse brilho voltando aos seus olhos, mas odeio imaginar que alguém possa apagá-lo de novo.
Sorrindo diante da proteção excessiva da minha amiga, desligo o motor do carro.
Após tudo o que aconteceu há três anos, o simples fato de me envolver com outro homem já é quase um ato de coragem.
— Te ligo mais tarde, amiga. Vou tentar convencê-lo a almoçar comigo. Quero comemorar esses seis meses juntos.
— Bem, boa sorte, amiga.
Encerro a ligação e respiro fundo antes de pegar minha bolsa para sair do carro.
A recepcionista me reconhece rapidamente. Um aceno de cabeça e pronto: acesso liberado.
Subo pelo elevador sozinha, ensaiando mentalmente o discurso. Nada muito romântico, só… humano. Uma tentativa de, enfim, me entregar completamente a essa relação.
Logo, o elevador pára no oitavo andar. Ao virar o corredor, percebo que a secretária dele não está na mesa dela.
A maníaca por controle, como eu a apelidei.
A mulher faz questão de me anunciar, como se eu fosse uma desconhecida, mesmo sabendo que sou namorada do chefe dela.
— Que sorte a minha — murmuro, sorrindo feito boba.
Quando finalmente paro em frente à porta do escritório dele, meu sorriso se amplia ao imaginar a surpresa dele ao me ver ali.
No entanto, quando empurro a porta, a cena que encontro me faz congelar e meu sorriso desaparece.
A secretária está sentada sobre a mesa dele, com a saia enrolada na cintura e a blusa aberta. Marco está entre as pernas dela, com a calça arriada. Ambos ofegantes.
O tempo para enquanto minha mente se recusa a processar o que os meus olhos estão vendo.
Ela me vê primeiro. Então, abre um sorriso satisfeito antes de descer da mesa e sair da sala, ajustando a roupa, sem qualquer pressa.
Marco apenas me encara, como se eu tivesse atrapalhado sua diversão, fechando o zíper da calça com uma calma irritante.
— Liz…
— Não — corto, finalmente encontrando minha voz. — Deixa eu adivinhar. Vai dizer que não é o que parece?
Solto uma risada baixa, amarga, mesmo sentindo o estômago embrulhar pelo cheiro de sexo que continua no ar.
— Ou vai dizer que a carne foi fraca? Vamos lá, pode começar suas mentiras.
— Você se ilude fácil demais, ragazza — responde, num tom calmo e quase entediado, como se tivesse razão em estar assim.
— É irônico ouvir isso do homem que dizia que me amava sempre que eu pensava em desistir.
— Chega a ser adorável o quanto você acreditou nisso — ele rebate, sorrindo enquanto se encosta na mesa e cruza os braços. — E, para ser sincero, bem inocente da sua parte.
— E por que eu não acreditaria? Você… — minha voz falha. — Você me fez acreditar que eu era especial.
— E era, claro. Uma Montesi entregue de bandeja para mim. Ou esqueceu que seu pai praticamente me empurrou você? Eu só aceitei a oferta.
— Você aceitou ficar comigo por conveniência? — pergunto, sentindo meus olhos arderem com as lágrimas.
— Claro. Não sou burro. — Ele dá de ombros. — Estar com você me deu acesso a contratos e pessoas importantes. Mas agora… bom, você não teria serventia por muito tempo mesmo.
— O que você…
Antes que eu consiga completar a frase, meu celular toca, me interrompendo. O nome do meu pai aparece na tela.
Atendo automaticamente.
— Onde você está? — meu pai pergunta, impaciente. — Venha para a empresa. AGORA!



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