Encaro Ettore, sem acreditar no que estou ouvindo. Eu devia ter imaginado que havia algo errado desde o momento em que ele entrou — e, inconsciente ou conscientemente, me salvou do meu pai.
Mas, como sempre, subestimei Ettore Bianchi.
— Do que você está falando? — pergunto, sentindo como se o ar tivesse sido sugado da sala.
— Quero que você se junte ao departamento de design do Grupo Bianchi — explica, num tom tão empresarial que poderia estar falando sobre a previsão do tempo. — Precisamos de alguém com sua visão para a nova linha de produtos.
Minha primeira reação é rir. Só pode ser uma piada, certo? Porque… por qual outro motivo ele apareceria aqui com uma proposta profissional?
— Você está brincando — digo, embora seu olhar deixe claro que ele está longe disso.
— Nunca falei tão sério. Nosso departamento de design precisa de ideias revolucionárias… como as suas.
— E você acha que vou simplesmente abandonar o trabalho que construí aqui para trabalhar para você? — questiono, incrédula.
— Para mim, não. Para o Grupo Bianchi — ele corrige, como se trocar o nome da prisão tornasse as grades invisíveis. — E sim, acho que vai. Porque faz sentido, Liz.
— Faz sentido para quem? Para você e seu ego?
Ettore revira os olhos, um gesto raro que me pega de surpresa.
— Para o mundo lá fora, que acredita que somos um casal feliz — argumenta, se sentando tranquilamente à minha frente. — Que tipo de marido e esposa trabalham em empresas rivais?
— E meu trabalho aqui? — pergunto, olhando ao redor da sala que se tornou meu refúgio nos últimos anos. — Tenho projetos em andamento, responsabilidades!
— Tenho 30% da Montesi — ele lembra, a voz mais suave agora. — Tecnicamente, sou seu chefe aqui também.
— É um convite ou uma ordem? — pergunto, sem conter a ironia.
— Considere uma proposta de negócios. Você ganha experiência em uma empresa maior, expande seu portfólio… ótimo para sua carreira.
Mordo o lábio, pensativa. Ele tem razão.
Seria mentira dizer que os últimos dias aqui foram tranquilos, especialmente com meu pai tentando me empurrar para pedir ajuda ao Ettore.
— O que acontece se eu recusar?
— Continuamos como estamos.
Estreito os olhos para ele, procurando qualquer sinal de manipulação, mas seu rosto continua tão controlado quanto sempre.
— E se eu aceitar — continuo, testando o terreno —, quais seriam as condições?
— Você teria liberdade criativa total — ele responde sem pensar duas vezes. — Reportaria diretamente a mim, sem intermediários. Seu salário seria compatível com sua experiência, é claro.
Respiro fundo, considerando a proposta. Trabalhar no Grupo Bianchi realmente seria ótimo para a minha carreira.
Mas também significaria estar perto dele por mais tempo.
— Giulia vem comigo — digo, sem pensar duas vezes.
— O quê? — Ettore franze o cenho, claramente não esperando essa condição.
— Você me ouviu. Se eu for, Giulia vem comigo. Ela é minha diretora de produção. Ninguém conhece meu trabalho melhor do que ela.
— Temos — confirmo, apertando sua mão.
Ele aperta com firmeza. Firme demais para ser apenas simbólico. Quase como se quisesse me lembrar quem dita as regras agora.
Solto sua mão lentamente e, por um segundo, tento absorver o que acabei de fazer. Um acordo com Ettore Bianchi. De novo. Como se o primeiro não tivesse sido um desastre épico.
— Se possível, quero vocês duas instaladas até o fim da semana — ele informa, pegando o celular e digitando algo com a frieza de quem acaba de concluir uma transação qualquer.
— Tão urgente assim? — questiono, arqueando uma sobrancelha.
— Temos prazos a seguir — responde, guardando o celular antes de me encarar. — Nos vemos mais tarde, esposa.
Assinto em silêncio, observando-o sair da sala. Quando a porta se fecha, finalmente volto a respirar corretamente.
Me apoio na mesa, tentando processar tudo.
Estou indo trabalhar no Grupo Bianchi. Diretamente com Ettore. Isso não é só um novo capítulo da minha carreira. É uma virada completa na história que estou tentando reescrever.
— Está tudo bem? — Giulia pergunta, preocupada, me surpreendendo com sua entrada silenciosa.
A encaro por um momento, então decido jogar a bomba de uma vez.
— Ettore me chamou para trabalhar com ele. E eu… aceitei.
Ela arregala os olhos, incrédula.
— Acho que estou viciada em tomar decisões duvidosas.

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