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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 26

Por um longo momento, minha melhor amiga me encara como se eu tivesse acabado de confessar um crime.

— Você está ficando doida, só pode! — ela finalmente exclama, colocando a mão na testa. — Não quero nem imaginar qual será sua próxima loucura.

— Na verdade, essa também já aconteceu… — digo, mais calma do que realmente me sinto. — Falei que só vou se você for comigo.

— É oficial, minha melhor amiga endoidou! — ela quase grita, andando de um lado para outro. — Eu e você trabalhando para Ettore Bianchi? O homem que te odeia?

— Ele não me odeia — digo automaticamente, e então me corrijo: — Ou talvez odeie, mas isso não importa. É uma oportunidade profissional, Giu.

Ela para de andar e me encara, incrédula.

— Profissional? — repete, irônica. — Nada sobre vocês dois, é apenas profissional, Liz. Você sabe disso melhor do que ninguém.

— Olha, sei como parece — admito, levantando para me aproximar dela. — Mas pense nas vantagens. O Grupo Bianchi tem recursos que a Montesi nem sonha em ter atualmente. Podemos criar sem limitações de orçamento, ter acesso aos melhores materiais, às melhores fábricas…

— E tudo que você precisa fazer é vender sua alma para o diabo — ela completa, arqueando uma sobrancelha.

— Já vendi, lembra? — rebato, tentando soar leve, mas falhando miseravelmente. — O acordo foi assinado. Sou oficialmente uma Bianchi agora. Pelo menos assim posso tirar algo de bom dessa situação.

Giulia se deixa cair em uma cadeira, passando a mão pelos cabelos ruivos em sinal de frustração.

— É isso que não entendo, Liz. Por que você aceitou? O que ele tem sobre você além desse maldito contrato?

A pergunta me pega desprevenida. Teria sido mais fácil se Ettore tivesse exigido, ordenado ou ameaçado. Mas ele simplesmente… sugeriu. E eu aceitei.

— Honestamente? — murmuro, olhando pela janela. — Estou cansada de ficar presa entre o desprezo do meu pai e a sombra do meu novo sobrenome. Pelo menos lá seremos julgadas pelo nosso trabalho.

Giulia me observa em silêncio por um momento, seus olhos suavizando-se.

— Nem sei o que dizer…

— Diga que vai comigo, por favor — peço, virando para encará-la. — Preciso de você ao meu lado.

— Às vezes me pergunto por que me tornei sua amiga — resmunga, virando os olhos dramaticamente. — Sabe que vou contigo para onde for. Mas… e quanto às suas criações, os projetos em andamento?

— Vou conversar com meu pai — respondo, já imaginando como será esta conversa. — Tentar entrar em um acordo quanto a isso.

Ela suspira profundamente, e sei que, apesar de suas dúvidas, já está considerando a ideia.

— Quando começamos? — pergunta finalmente.

— Quando quisermos — respondo, permitindo-me um pequeno sorriso de alívio. — Contanto que seja antes de sexta.

— Uau, que generoso da parte dele — comenta, sarcástica, levantando-se. — Bem, vou pedir nosso almoço e começar a organizar nossas coisas. E só não espera que eu aguente ver vocês dois trocando farpas e não intervir, hein? Tenho limites.

Giulia volta para sua mesa enquanto eu me sento de novo, tentando me preparar mentalmente para a conversa com meu pai.

— Ettore mudou você novamente — ele finalmente diz, balançando a cabeça negativamente.

— Não, pai — corrijo, respirando fundo. — Eu sempre fui assim. Você é que nunca se deu ao trabalho de me conhecer. Primeiro, porque estava ocupado demais. Depois, porque só me via como uma vantagem.

— Sua mãe teria vergonha disso.

— A vergonha maior vai ser quando ela acordar do coma… e descobrir que o marido vendeu a filha dela.

Ele me observa em silêncio por um momento, como se realmente estivesse me vendo pela primeira vez. Então, sem mais palavras, ele se vira e sai.

Me jogo na cadeira, ignorando o olhar assustado de Giulia, e percebo que estou tremendo.

Essa pequena rebeldia, esse ato de afirmação, parece ter liberado de vez a Liz que estava adormecida nessas últimas semanas.

O celular vibra com uma notificação irrelevante, mas que serve para me lembrar da mensagem de Ettore. Sem pensar muito, decido responder.

“Enviarei as medidas em breve. Começaremos na quarta.”

Enquanto aperto para enviar a mensagem, me pergunto no que estou me metendo novamente.

Conviver com Ettore será como caminhar em um campo minado. Cada passo poderá detonar algo explosivo entre nós.

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