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Contratando um CEO como Acompanhante romance Capítulo 102

Lúcia Mendes

Enzo se levantou da poltrona e, com aquela educação impecável de advogado, estendeu a mão para mim. Apertei, mesmo sentindo o peso calculista do olhar dele me atravessando como uma sentença.

"Nate me pediu para vir conversar com você." O tom era neutro, mas havia algo ali, como se cada palavra carregasse uma acusação disfarçada. "Ele quer deixar tudo ajustado para o enlace de vocês." olhei para minha mãe que parecia interessada demais.

"Claro, vamos sim. Vamos até a cafeteria. Minha mãe tem que descansar."

"Eu estou ótima, não ligo de vocês conversarem aqui." estreitei os olhos.

"Mãe, eu já volto."

Minha mãe sorriu com aquele ar travesso que não abandonava nunca. "Adorei a companhia, Enzo. Educado, charmoso… você devia aprender um pouco com ele, querida."

Revirei os olhos e me apressei em sair antes que ela resolvesse soltar mais alguma indireta.

Descemos juntos até a cafeteria do hospital. Eu tentei manter o passo firme, mas o silêncio de Enzo parecia aumentar cada segundo. Até que, ao chegarmos, ele quebrou a quietude:

"Devo dizer parabéns pelo casamento?" A ironia escorreu, afiada, como uma lâmina.

Engoli seco e não respondi. Ele percebeu. Claro que percebeu.

Escolheu a mesa mais afastada, abriu a pasta de couro e tirou alguns papéis, espalhando-os entre nós com a precisão de quem está acostumado a encurralar pessoas.

"Então me conta, Lúcia…" Ele se inclinou para frente, os olhos presos nos meus. "O que está acontecendo de verdade? Porque eu conheço o Nate há anos. E sei que ele não é impulsivo a ponto de decidir se casar assim de uma hora para outra, com alguém que acabou de conhecer. Então o que você quer? Como está chantageando o meu amigo?"

O ar sumiu dos meus pulmões. Arregalei os olhos por um segundo, mas logo vesti a máscara de frieza que aprendi a usar. Endireitei a postura, cruzei os braços e deixei minha voz sair firme:

"Acho que você se equivocou, doutor. Porque quem foi chantageada fui eu."

Ele arqueou a sobrancelha. Eu continuei:

"Eu disse não. Repeti não. Mas o seu amigo não aceitou essa resposta. Ele me fez dizer sim. Então, se existe alguém jogando pressão aqui, não sou eu. Podemos considerar a minha resposta com ele, o que acha?"

Os olhos dele estreitaram, avaliando cada detalhe do meu rosto.

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