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Contratando um CEO como Acompanhante romance Capítulo 103

Lúcia Mendes

Duas semanas se passaram num sopro. O hospital já parecia um pesadelo distante, e agora, cada vez que eu via minha mãe sorrindo no sofá da sala, mexendo nas plantas ou implicando com o noticiário, meu coração se enchia de gratidão. A medicação tinha feito efeito. Ela estava mais corada, mais disposta… viva.

E Nate?

Bom… Nate estava mais presente do que nunca. Presente até demais.

Naquela tarde, ele me arrastou... sim, arrastou, para dentro de uma joalheria caríssima no centro de Manhattan, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

“Quero que escolha.” Ele apontou para uma vitrine de alianças que brilhavam sob a luz artificial, cada uma com preço suficiente para comprar minha casa.

Arqueei as sobrancelhas. “Escolher? Nate, essas alianças dariam para financiar a lua de mel de cem casais.”

Ele sorriu, com aquele ar convencido que só ele sabia ter. “Perfeito. Então escolhemos as mais caras.”

Revirei os olhos, mas ele não cedeu. Só que não era disso que me preocupava.

“Olha, Nate…” Suspirei, ajeitando a bolsa no ombro. “Se vamos mesmo fazer isso, e eu ainda não acredito que estou dizendo isso, eu quero algo simples. Pequeno. Intimista. Só a minha mãe, alguns poucos amigos… e acabou.”

Ele parou de encarar a vitrine e virou-se para mim. Aquele olhar escuro, intenso, que sempre me desmontava, estava carregado de incredulidade.

“Não é por que tem que ser pequeno, que tem que ser sem graça. Podemos ter o casamento que quiser, mas no padrão que eu considero aceitável.”

“Pois eu acho desnecessário.” Cruzei os braços, firme, mesmo com o coração disparando. “Eu não quero festa com quinhentas pessoas. Não quero fotógrafos, revistas, nem um desfile de socialites que mal sabem o meu nome. Eu quero algo meu. Nosso. Sem plateia. Além do mais isso é um casamento Fake, lembra? Não se iluda, chefe.”

Ele passou a mão no cabelo, rindo baixo, como se eu tivesse acabado de contar a piada do século.

“Você tem noção de quantos acionistas vão querer estar nesse casamento? Quantos vão querer aparecer nas fotos, apertar sua mão, se aproximar de você?”

“E é justamente por isso que não quero.” Respondi sem hesitar, sentindo meu estômago embrulhar. “Esse casamento não é sobre a DRTech. Não é sobre a imagem que você tem que passar. É sobre mim, sobre você… e sobre a minha mãe. É um acordo, Nate, não um evento.”

O silêncio entre nós foi denso. Ele me encarava como se tentasse decifrar se eu estava falando sério. E eu estava. Talvez mais do que nunca.

Ele inclinou a cabeça, os olhos semicerrados em desafio.

“Um acordo não precisa ser sem classe. Você pode se enganar quanto quiser, mas eu não consigo olhar para você e imaginar algo medíocre, Lúcia.”

Bufei, cruzando os braços com ainda mais força. “Medíocre não. Realista.”

O canto da boca dele se ergueu, perigoso. “Não. É covardia.”

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