Lúcia Mendas
Saímos da joalheria com a caixinha bem guardada na mão dele, como se fosse um troféu. Eu ainda tentava me convencer de que tudo aquilo era só encenação, mas a sensação do beijo dele ainda queimava nos meus lábios.
“Hoje à noite, nós vamos sair para jantar.” A voz grave de Nate me trouxe de volta à realidade. “Quero fazer isso direito. Colocar a aliança no seu dedo como deve ser.”
Arqueei as sobrancelhas, surpresa. “Direito? Nate, isso não é um noivado de verdade.”
Ele inclinou a cabeça, com aquele sorriso perigoso. “Então me deixe fingir. É a parte que eu faço melhor.”
Revirei os olhos, mas o coração bateu em falso. Fingir. Claro.
Caminhamos alguns passos e, de repente, percebi a direção que ele tomava. Meus olhos se arregalaram.
“Você não está… indo para a loja de vestidos.”
“É exatamente para onde estou indo.” Ele enfiou as mãos nos bolsos como se fosse a coisa mais lógica do mundo.
Parei bem na porta e virei para ele. “Nem pensar. Aqui você não entra.”
“Lúcia…” O tom dele veio baixo, quase paciente demais.
“Não.” Cruzei os braços, firme. “Vai escolher o seu terno em outra loja.”
“Já tenho terno.” Ele ergueu uma sobrancelha.
Sorri de canto, irônica. “Não duvido. Mas mesmo assim, aqui você não pisa.”
Ele bufou, claramente contrariado. “Você adora me provocar.”
“E você adora controlar tudo.” Dei de ombros, com um sorriso travesso. “Então vamos equilibrar: eu escolho o vestido sozinha e você vai procurar o local do casamento. Pequeno, simples e discreto. Ou então…” Inclinei a cabeça, desafiando. “Eu digo não. Em voz alta. Na frente de todos.”
Por um instante, o silêncio se fez, e depois a risada grave dele ecoou no corredor do shopping. “É bem capaz de você fazer isso mesmo.”
Ele se inclinou, roçou os lábios quentes na minha testa e murmurou, grave:
“Me ligue quando terminar. Eu venho te buscar.”
Em seguida, puxou a carteira do bolso e retirou o cartão, colocando-o na minha mão como quem marca território.
“Use. Escolha o que quiser. Invista em você, sem limites.”
Revirei os olhos, mas guardei o cartão na bolsa. Eu não ia me contentar com menos, só não queria cair no exagero dele.
Entrei na loja de vestidos e fui recebida por uma vendedora que me avaliou de cima a baixo, como se pudesse medir meu saldo bancário pelo caimento da minha calça jeans.
“Boa tarde.” Ela sorriu, mas não alcançou os olhos. “Precisa de um vestido?"
"Isso, eu quero um vestido simples. Nada de babados, nem de muito pano." ela riu de lado.
"Claro, posso mostrar alguns modelos em promoção.”
Antes que eu dissesse qualquer coisa, ela já puxava araras com vestidos cafonas, cheios de rendas mal cortadas e brilhos que pareciam saídos de um baile dos anos 90.
“Esses são os mais acessíveis, mas também temos alguns usados que saem por um preço ótimo.”
Minha boca caiu aberta. “Usados?”
Ela assentiu, satisfeita, como se tivesse me feito um favor.

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