Nathaniel Donovan
Voltei para a loja quase sem pensar. Havia deixado Lúcia há poucos minutos, mas algo me incomodava, talvez o jeito como ela respirou fundo antes de entrar, como se precisasse de coragem para atravessar aquela porta.
Empurrei a entrada com o ombro, o olhar varrendo o ambiente. A atendente estava atrás do balcão, sorrindo como se fosse a dona do lugar.
“Boa tarde, senhor. Posso ajudá-lo?” A voz dela pingava falsa doçura.
Bufei. “Sim. Acabei de deixar a minha noiva aqui. Ela está no provador?”
A mulher piscou, surpresa, e deu uma risadinha nervosa. “Provador? Oh… não, senhor. Não temos nenhuma cliente provando roupas no momento.”
Meu maxilar travou. Inclinei a cabeça, descrente. “Não tem?”
“Não.” Ela cruzou as mãos, tentando manter a pose.
“Baixa, magra, loira. Entrou há pouco, ela estava procurando por um vestido para o nosso casamento. Não tem nem 10 minutos que eu a deixei aqui.”
O sorriso dela vacilou por um instante. Então soltou, como quem não consegue se segurar:
“Ah… a pobretona?”
A palavra ecoou no meu ouvido como um estalo.
Ela arregalou os olhos e levou a mão à boca, tarde demais.
A sala inteira pareceu congelar. Dei um passo à frente, e o silêncio se tornou sufocante.
“Repita.” Minha voz saiu grave, gélida.
“E-eu… me enganei, eu não quis...”
“Repita.” A fúria crescia em ondas dentro de mim, queimando cada fibra do meu corpo. “Você chamou a minha noiva de quê?”
“Senhor, eu…”
Não deixei terminar. Apoiei as duas mãos no balcão e me inclinei, meu olhar cravado no dela até a mulher empalidecer.
“Quero o gerente. Agora. Antes que eu faça questão de arruinar esta loja inteira.”
As outras vendedoras trocaram olhares aflitos, uma delas correu para os fundos.
A atendente gaguejava, tentando se justificar. “Foi um mal-entendido, eu não quis dizer...”
“Cale a boca.” Minha voz saiu baixa, mas cada sílaba era uma ordem. “Se a minha noiva foi destratada neste lixo de loja, vocês vão se arrepender. Eu acabo com vocês antes mesmo de fecharem as portas.”
O gerente surgiu, pálido, tentando se justificar. Ergui a mão, cortando qualquer palavra.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratando um CEO como Acompanhante