Nate Donovan
A gravata parecia estranha no meu pescoço. Já fazia tempo demais desde que eu me arrumara de verdade para alguém que não fosse uma reunião com acionistas ou um jantar corporativo. Mas naquela noite era diferente. Eu não estava indo negociar contratos. Estava indo buscar a mulher que tinha virado minha vida do avesso.
O reflexo no espelho me mostrou algo raro: expectativa. O tipo de ansiedade que eu não sentia desde moleque. Passei a mão pelo cabelo, ajeitei o paletó e ouvi a porta do quarto bater atrás de mim.
“Papai…” A voz doce da Eliza. Virei e a encontrei parada na porta, os olhos verdes arregalados. “Onde você vai tão bonito?”
Sorri. “Vou buscar a Lúcia. Quero pedir a mão dela em casamento.”
Por um segundo ela ficou muda. Depois, como se tivesse recebido o melhor presente do mundo, correu e pulou na cama, batendo palmas. “Isso, papai! Eu quero a tia Lúcia como minha mamãe!”
O coração quase saiu pela boca. Me virei e a segurei pela cintura, trazendo-a para o colo. “Ei, escuta aqui.” Acariciei seu rostinho. “Isso é algo que vamos ter que perguntar pra ela mais pra frente, está bem? Por enquanto, a tia Lúcia vai ser parte da nossa família, e nós dois vamos cuidar dela com todo amor e carinho… para que ela nunca queira ir embora.”
Eliza sorriu, séria e fofa ao mesmo tempo. “Promete?”
“Prometo.” Dei um beijo estalado em sua bochecha. “E prometo que, aconteça o que acontecer, você nunca vai perder espaço comigo. A tia Lúcia não veio pra te tirar nada, veio pra somar.”
“Tá bom.” Ela assentiu, como se fosse a juíza final da minha vida. “Mas eu gosto dela. Muito.”
Meu peito derreteu. “Eu também, pequena. Eu também.”
Chamei a babá, que apareceu sorridente. Entreguei Eliza a ela com um último abraço apertado e desci, decidido.
O carro parou diante da casa simples das Mendes. Liguei para Lúcia. Minutos depois, a porta se abriu e ela surgiu.
E eu perdi o fôlego.
Ela descia as escadas com um vestido marinho que colava nas curvas de um jeito criminoso. O tecido abraçava sua cintura, desenhando cada detalhe. Os cabelos loiros caiam soltos pelos ombros, iluminados pela luz do poste da rua. Por um segundo, tive certeza: eu estava ferrado.
Saí do carro sem pensar, abrindo a porta para ela como se fosse a última dama da Terra.
“Senhorita Mendes.” Estendi a mão.
Ela pousou a própria sobre a minha, e o calor atravessou até meu osso. Sorriu de leve. “Obrigada.”
Fechei a porta depois que ela entrou, mas não consegui parar de encará-la quando voltei ao volante. Tudo nela gritava perigo e tentação.
No caminho, não consegui me segurar.
"Esse vestido marinho… colado desse jeito… você está querendo me matar antes mesmo do jantar, chaveirinho?"
"Você exagera. É só um vestido."
"Só um vestido? Ele está gritando que eu estou cometendo um erro em te levar para um restaurante e não para um quarto." ela gargalhou.
"Agora sim, o Nate safado está de volta."

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